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Brasil perde posição entre maiores mercados de energia solar no mundo


  • 24 de junho de 2026 às 18h36min

Queda no ranking global reflete desafios estruturais, econômicos e limitações na infraestrutura elétrica. (Imagem: reprodução)

O Brasil recuou uma colocação no ranking mundial de energia solar fotovoltaica e passou a ocupar o quinto lugar entre os maiores mercados do setor, ficando atrás de China, Índia, Estados Unidos e Alemanha. A informação é da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar), com base no relatório “Global Market Outlook for Solar Power 2026-2030”, elaborado pela SolarPower Europe.

Segundo o estudo, apresentado durante a Intersolar Europe, na Alemanha, o país adicionou 14,5 gigawatts-pico (GWp) de capacidade solar em 2025 — volume 23% inferior ao registrado no ano anterior, quando foram incorporados 18,9 GWp.

Os números consideram tanto as grandes usinas quanto os sistemas de geração distribuída, como instalações em telhados, fachadas e pequenos terrenos, contabilizando toda a potência adicionada ao longo do ano.

O levantamento também aponta mudanças no cenário internacional. A Índia, por exemplo, superou os Estados Unidos em capacidade instalada no período, enquanto a Austrália segue como destaque global em geração solar per capita, com cerca de 1,7 quilowatt por habitante. Países Baixos e Alemanha aparecem logo atrás, com níveis também elevados de capacidade por pessoa.

De acordo com a Absolar, a perda de posição do Brasil está relacionada a fatores como o corte de geração renovável sem compensação aos produtores, conhecido como “curtailment”, além de entraves para conexão de novos sistemas à rede elétrica. Questões macroeconômicas, como custo elevado de financiamento, variação cambial e tributação sobre equipamentos, também impactaram o desempenho do setor.

Atualmente, a energia solar ocupa a segunda posição na matriz elétrica brasileira, com cerca de 70 gigawatts de capacidade instalada, o equivalente a 26,2% do total. Desde 2012, o segmento já atraiu mais de R$ 305 bilhões em investimentos e gerou mais de 2,1 milhões de empregos no país.

Especialistas do setor avaliam que o avanço da fonte solar no Brasil não tem sido acompanhado pelo mesmo ritmo de investimentos em infraestrutura, especialmente em soluções de armazenamento e modernização do sistema elétrico.

Nesse contexto, representantes da Absolar defendem a adoção de medidas que incentivem o uso de baterias, a atualização das regras tarifárias e a criação de mecanismos que garantam maior previsibilidade ao setor. Também destacam a importância de ações coordenadas entre órgãos como o Ministério de Minas e Energia, a Agência Nacional de Energia Elétrica e o Operador Nacional do Sistema para viabilizar a expansão sustentável da energia solar no país.

Por Viliane Gomes