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Operação prende vereador e mira esquema do PCC que usava verba pública para lavar dinheiro


  • 25 de junho de 2026 às 10h33min

Fraude usava subsídios públicos do transporte para lavar dinheiro da facção e financiar campanhas. (Foto: Reprodução)

A Polícia Civil e o Ministério Público de São Paulo deflagraram a Operação Última Parada contra a lavagem de dinheiro do PCC no transporte público da capital. A ação prendeu o vereador paulistano Senival Moura (PT), o diretor informal da Transunião, Jair Ramos de Freitas, e o motorista Devanil Nascimento. A Justiça determinou o bloqueio de R$ 194 milhões em contas bancárias, o sequestro de 21 imóveis, 117 veículos e três embarcações, além de afastar toda a atual diretoria da empresa, que atende 389 mil passageiros por dia na Zona Leste.

Os investigados são suspeitos de organização criminosa, lavagem de dinheiro e fraude em licitações. O capital social da viação saltou ilegalmente de R$ 100 mil para R$ 50 milhões para vencer concorrências da prefeitura e ter acesso a subsídios municipais, que somaram mais de R$ 300 milhões no ano passado. De acordo com a investigação, a Transunião contava com um núcleo paralelo estruturado para autorizar transferências de grandes valores para criminosos, possuindo conexões com o tráfico internacional da máfia italiana ‘Ndrangheta.

O inquérito começou após o assassinato do ex-presidente da viação, Adauto Soares Jorge, em 2020. Documentos da facção revelaram que ele e o vereador haviam sido condenados à morte pelo PCC por desviar dinheiro do crime para um caixa dois eleitoral. O vereador consentiu com a execução do aliado e foi perdoado pelo grupo devido à sua influência política, abrindo espaço para que o PCC nomeasse novos diretores na empresa para garantir a continuidade da movimentação de capitais ilícitos.

Por Juliana Santos