Suspeito de retirar câmera após morte em salto sem corda nega acusação em carta

Um dos homens presos no caso do salto de rope jump sem cordas que resultou na morte de Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, de 21 anos, em Limeira (SP), negou ter retirado a câmera acoplada ao corpo da vítima após a queda. A declaração consta em uma carta escrita por ele e divulgada por sua defesa.
João Antonio Pivetta Ribeiro da Silva, de 35 anos, foi preso no último fim de semana. Segundo a investigação da Polícia Civil e do Ministério Público, ele teria se aproximado do corpo da jovem e retirado o equipamento, considerado peça-chave para a reconstituição do caso.
Em depoimento e no texto escrito, o suspeito afirma que se aproximou da vítima apenas para verificar sinais vitais. Ele relata que estava na parte inferior da ponte, auxiliando outro participante, quando ouviu o impacto e correu para prestar socorro.
De acordo com a carta, João Antonio disse ter constatado que a jovem ainda apresentava batimentos cardíacos e respiração, acionando ajuda via rádio. Ele também afirmou que outros integrantes da equipe desceram até o local e participaram do atendimento.
O suspeito mencionou ainda nomes de pessoas que, segundo ele, poderiam ter tido contato com a câmera, levantando a hipótese de que o equipamento possa ter sido levado junto com pertences recolhidos após o ocorrido.
A retirada da câmera é tratada pelas autoridades como possível supressão de prova, o que fundamentou a prisão temporária. O equipamento, que ainda não foi localizado, é considerado essencial para esclarecer as circunstâncias do acidente.
Segundo a Polícia Civil, as investigações também apontam indícios de exclusão de conteúdos digitais que poderiam contribuir para a apuração dos fatos. A hipótese é de que os envolvidos possam responder por crimes dolosos contra a vida, na modalidade de dolo eventual, além de possível fraude processual.
A Secretaria de Segurança Pública de São Paulo informou que dois inquéritos foram instaurados para investigar o caso. O primeiro resultou no indiciamento de três instrutores por homicídio doloso qualificado, com prisão preventiva decretada. Um segundo inquérito apura a participação de outros envolvidos, incluindo os três presos mais recentemente.
Maria Eduarda morreu no dia 13 de junho após ser lançada de uma altura de cerca de 40 metros, na chamada Ponte do Esqueleto, na zona rural de Limeira. Segundo a polícia, a jovem deveria estar presa a equipamentos de segurança, mas as cordas não estavam devidamente instaladas no momento do salto.
As investigações seguem em andamento para esclarecer completamente o caso e identificar todos os responsáveis.
Por Viliane Gomes
