Mauro Vieira rebate tarifaço americano e diz que decisão ‘não tem lastro na realidade’

O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, afirmou nesta quinta-feira (16) que as novas tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros não encontram respaldo técnico e foram adotadas por razões políticas. Segundo o chanceler, a decisão desconsiderou meses de negociações entre os dois países e ocorreu de forma unilateral.
Durante conversa com jornalistas, Vieira declarou que o governo brasileiro participou de mais de 30 reuniões com autoridades americanas para tentar evitar o aumento das tarifas. Além disso, o Brasil apresentou manifestações formais ao Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) em agosto e setembro de 2025, contestando a abertura da investigação comercial baseada na Seção 301.
De acordo com o ministro, as tarifas incluem uma alíquota adicional de 25% aplicada no âmbito da Seção 301, somada aos 10% anunciados anteriormente pelos Estados Unidos. Para o governo brasileiro, a medida não possui justificativa técnica e rompe com o diálogo mantido entre os dois países ao longo dos últimos meses.
Mauro Vieira também afirmou que o endurecimento da política comercial americana teve motivação política. Segundo ele, o governo brasileiro recebeu uma correspondência na qual a gestão do presidente Donald Trump teria condicionado a revisão das tarifas à interrupção de processos judiciais internos envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Na avaliação do Itamaraty, a investigação conduzida com base na Seção 301 representa uma tentativa do governo americano de criar novas justificativas para a imposição de tarifas após decisões desfavoráveis na Suprema Corte dos Estados Unidos relacionadas à política de tarifas universais.
Por Jorge Brandão
