Brasil precisa investir R$ 431 bilhões para universalizar saneamento até 2033

O Brasil precisa investir R$ 431 bilhões até 2033 para alcançar as metas de universalização do saneamento básico previstas no Marco Legal do setor. O valor representa uma média de R$ 48 bilhões por ano nos próximos nove anos, quase 40% acima do volume de investimentos realizados atualmente.
O levantamento, feito pelo Instituto Trata Brasil em parceria com a GO Associados, aponta que o país ainda enfrenta um grande déficit no acesso aos serviços básicos. Atualmente, 15,9% da população não tem acesso à água potável e 43,3% dos brasileiros vivem sem coleta de esgoto.
A legislação estabelece que, até 2033, os municípios devem garantir atendimento de 99% da população com água potável e de 90% com coleta e tratamento de esgoto. Para atingir essas metas, a segunda revisão do Plano Nacional de Saneamento Básico (Plansab) estima que seriam necessários R$ 525 bilhões em investimentos.
Entre 2021 e 2024, parte desse valor já foi aplicada, mas ainda faltam R$ 431 bilhões para cumprir o prazo. Apesar do avanço nos investimentos desde a aprovação do Marco Legal, o crescimento ainda não foi suficiente: o valor anual por habitante passou de R$ 90,54 para R$ 137,02, mas permanece abaixo do necessário.
Além de ampliar o acesso à água e ao esgoto, o saneamento tem impacto direto na saúde pública e na economia, com redução de doenças relacionadas à falta de infraestrutura, menos afastamentos do trabalho e aumento da produtividade.
Em ano eleitoral, o Instituto Trata Brasil lançou a plataforma “Voto no Saneamento”, que reúne dados e indicadores sobre o setor para estimular o debate sobre propostas relacionadas aos serviços básicos nos planos de governo.
Por Mirelly Rodrigues
