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Violência

Pernambuco registra queda histórica nas mortes violentas, mas segue entre os estados mais perigosos do país


  • 23 de julho de 2026 às 10h23min

Mesmo com a menor taxa desde 2012, o estado ainda aparece na quinta posição nacional em violência letal, segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública. (Foto: Divulgação/SDS)

Pernambuco conseguiu reduzir os índices de violência letal em 2025, mas ainda figura entre os estados mais violentos do Brasil. De acordo com o Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2026, divulgado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o estado registrou 33 mortes violentas intencionais por 100 mil habitantes, número que o coloca na quinta posição nacional.

O resultado representa uma melhora em relação ao ano anterior, quando a taxa era de 36,4. A queda de 9,3% coloca Pernambuco na décima posição entre os estados que mais reduziram esse tipo de crime. Mesmo assim, permanece atrás de Alagoas, Ceará, Bahia e Amapá — este último liderando o ranking com 42,5 mortes por 100 mil habitantes.

O cálculo das mortes violentas intencionais reúne homicídios dolosos, latrocínios, feminicídios, lesões corporais seguidas de morte e mortes decorrentes de ações policiais. A taxa registrada em 2025 é a menor desde o início da série histórica, em 2012.

No cenário nacional, o Anuário aponta que o Brasil alcançou pela primeira vez a meta de redução de homicídios prevista para 2027, antecipando o cumprimento em dois anos. Foram contabilizados 32.914 homicídios dolosos, com taxa de 15,4 por 100 mil habitantes — queda de 10% em relação a 2024. A meta estabelecida pela Política Nacional de Segurança Pública era de 16 por 100 mil.

O levantamento também destaca que, embora a maioria das categorias de mortes violentas tenha diminuído, duas seguem em alta: feminicídios e mortes decorrentes de intervenções policiais. O relatório cita como exemplo a Operação Contenção, no Rio de Janeiro, que resultou em mais de 120 mortes em apenas dois dias, o maior número da série histórica.

Segundo o Fórum, a antecipação da meta nacional precisa ser vista com cautela, já que o crescimento da letalidade policial indica falhas no controle do uso da força pelo Estado. Sete unidades da federação registraram aumento nas mortes violentas: Rio Grande do Norte, Rondônia, Acre, Roraima, Distrito Federal, Mato Grosso do Sul e Rio de Janeiro.

Entre os municípios, o Cabo de Santo Agostinho, na Região Metropolitana do Recife, aparece como o oitavo mais violento do país, com taxa de 65,1 mortes por 100 mil habitantes. Apesar da posição elevada, o município apresentou melhora em relação ao ano anterior, quando ocupava a quinta colocação, com 73,3. Todas as dez cidades mais violentas do Brasil estão no Nordeste, região que lidera o ranking desde 2020.