Corte da Itália diz que não há provas de perseguição política contra Carla Zambelli

A Corte de Cassação da Itália, instância máxima do Judiciário italiano, divulgou nesta quinta-feira (23) a íntegra da decisão que determinou a realização de um novo julgamento sobre o pedido de extradição da ex-deputada Carla Zambelli.
No documento, os magistrados afirmam que não foram identificados elementos capazes de sustentar a tese de que Zambelli tenha sido alvo de perseguição política por parte do Supremo Tribunal Federal (STF). Esse argumento havia sido apresentado pela defesa da ex-parlamentar, conduzida pelo advogado italiano Pieremilio Sammarco.
Condenada no Brasil, Carla Zambelli deixou o país e seguiu para a Itália em setembro de 2025. Ela recebeu pena de 10 anos de prisão por envolvimento na invasão dos sistemas eletrônicos do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e outra condenação de cinco anos e três meses por perseguir um homem armada às vésperas do segundo turno das eleições de 2022.
De acordo com a decisão da Corte italiana, o fator determinante para a reavaliação do processo de extradição não foi a alegação de motivação política, mas sim a necessidade de verificar se existem garantias adequadas para o tratamento de saúde da ex-deputada no sistema prisional brasileiro.
Os juízes destacaram que uma perícia médica apontou que Zambelli apresenta diversas enfermidades que, embora não inviabilizem o cumprimento da pena em regime fechado, exigem acompanhamento médico permanente e uso contínuo de medicamentos.
Entre os problemas de saúde mencionados estão doenças de natureza cardiológica, gastrointestinal e psiquiátrica. Laudos médicos já divulgados anteriormente também indicam que a ex-deputada é diagnosticada com as síndromes de Ehlers-Danlos e da Taquicardia Postural Ortostática. Com a decisão, o pedido de extradição será analisado novamente pela Justiça italiana, que deverá considerar as condições de assistência médica disponíveis antes de decidir sobre o retorno de Carla Zambelli ao Brasil.
Por Jorge Brandão
