Declarações de Lula sobre guerra histórica provocam protesto oficial do Paraguai

O governo do Paraguai convocou o embaixador do Brasil em Assunção, José Antônio Marcondes de Carvalho, para consultas após declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre a Guerra do Paraguai (1864–1870). A iniciativa é considerada um gesto diplomático de protesto e reflete o descontentamento do governo do presidente Santiago Peña com as declarações do chefe do Executivo brasileiro.
A medida foi anunciada um dia após a Câmara dos Deputados do Paraguai aprovar, por unanimidade, uma declaração de repúdio às falas de Lula. No documento, os parlamentares afirmam que o presidente brasileiro teria “distorcido e minimizado” a dimensão histórica da Guerra da Tríplice Aliança, deixando de considerar os antecedentes do conflito e seus impactos para o povo paraguaio.
A polêmica teve início durante visita de Lula à empresa Avibras Aeroco, em Jacareí (SP), na última sexta-feira (24). Ao defender investimentos na indústria nacional de defesa, o presidente citou a Guerra do Paraguai e afirmou que o Brasil precisa estar preparado para proteger seu território.
As declarações repercutiram negativamente no Paraguai. O presidente da Câmara dos Deputados, Raúl Latorre, acusou Lula de tratar com “leviandade” aquele que é considerado o maior conflito da história paraguaia. Outros parlamentares também criticaram o presidente brasileiro, argumentando que suas falas simplificaram as causas da guerra ao atribuir ao Paraguai a responsabilidade pelas invasões, sem considerar o contexto político e militar que antecedeu o confronto.
Até o momento, o governo brasileiro não havia se manifestado oficialmente sobre a decisão do Paraguai de convocar o embaixador para consultas.
Por Jorge Brandão
