Estudo aponta que mulheres e pessoas negras têm mais dificuldade para sair da pobreza

As desigualdades de gênero e raça continuam sendo fatores que dificultam a mobilidade social no Brasil, segundo dados do Atlas da Mobilidade Social, desenvolvido pelo Instituto Mobilidade e Desenvolvimento Social (IMDS) em parceria com o Prospera Lab. Entre as mulheres que nasceram nos 25% das famílias mais pobres do país, 65,12% permanecem na mesma faixa de renda na vida adulta. Entre os homens, esse percentual é de 32,95%.
O estudo também revela que apenas 4,51% dessas mulheres conseguem alcançar o grupo dos 25% mais ricos, enquanto entre os homens esse índice chega a 11,66%. Apesar de apresentarem níveis mais elevados de escolaridade, com maior conclusão do ensino médio e superior, as mulheres continuam enfrentando desvantagens no acesso à renda e às oportunidades de crescimento econômico.
A pesquisa também aponta diferenças relacionadas à raça. Entre os jovens não brancos que nasceram entre os 25% mais pobres, 51,64% permanecem nessa condição na vida adulta, contra 36,32% dos jovens brancos. Quando gênero e raça são analisados em conjunto, as mulheres não brancas aparecem como o grupo com menor mobilidade social, evidenciando que as desigualdades de acesso à educação, saúde e empregos mais bem remunerados continuam influenciando as oportunidades de ascensão no país.
Por Millena Galvão
