Falso médico é preso após atender criança com câncer no cérebro

A polícia do Rio de Janeiro prendeu em flagrante um homem acusado de se passar por médico e atender uma menina de 10 anos que enfrenta um câncer no cérebro. O suspeito se apresentava como Jeferson Targino Sampaio e prestava atendimento domiciliar à criança.
Segundo as investigações, o homem chegou à família por meio das empresas de home care Health Mais Cuidados e Gestão e Alpha Care Cuidados, contratadas pelo plano de saúde da família, a Unimed Nova Iguaçu.
Mesmo sem formação em Medicina, o suspeito acompanhava o tratamento da menina, fazia prescrições e orientava a família sobre medicamentos e cuidados com a paciente. De acordo com a polícia, ele também realizava consultas particulares e cobrava valores que chegavam a R$ 1 mil quando havia necessidade de emissão de laudos.
A criança tem a doença em estágio avançado e necessita de cuidados intensivos. Antes de receber o atendimento domiciliar, passou por dez cirurgias, sendo sete delas na cabeça. Segundo a mãe, o homem realizou cinco consultas com a menina ao longo de seis meses.
A desconfiança da família aumentou após alguns episódios durante o acompanhamento. Um enfermeiro que visitou a paciente percebeu, por exemplo, que o extensor da gastrostomia deveria ter sido substituído havia cerca de dois meses.
Diante das suspeitas, a mãe decidiu verificar a situação profissional do homem. Ao consultar o registro no Conselho Regional de Medicina (CRM), encontrou informações que indicavam que a pessoa apresentada nos documentos e na fotografia não correspondia ao profissional que atendia sua filha.
A família reuniu provas e procurou as autoridades. O delegado Thiago Venturini Antunes afirmou que a investigação começou depois que os responsáveis pela criança identificaram inconsistências na identidade e na atuação do suspeito.
De acordo com a polícia, além dos atendimentos realizados por meio do plano de saúde, o homem também oferecia consultas particulares. Ele foi preso em flagrante e o caso segue sob investigação para esclarecer a extensão da atuação como falso profissional da Medicina.
Por Viliane Gomes
