Pix pode ser integrado a sistemas de pagamentos estrangeiros, diz Banco Central

O Pix poderá avançar para além das fronteiras brasileiras. O Banco Central informou nesta segunda-feira (10) que estuda a possibilidade de interligar o sistema de pagamentos instantâneos do Brasil a plataformas semelhantes utilizadas em outros países.
Segundo a autoridade monetária, a conexão entre diferentes sistemas poderia facilitar pagamentos internacionais, reduzir custos e tornar as transferências entre países mais rápidas e eficientes. A proposta representa um avanço em relação ao cenário atual. Hoje, o Banco Central acompanha operações realizadas com Pix no exterior por meio de acordos e parcerias estabelecidos entre instituições financeiras brasileiras e empresas ou bancos estrangeiros.
A possibilidade de integração internacional já havia sido mencionada pelo BC em um relatório publicado em 2023. Na ocasião, a instituição indicou que o Pix poderia, futuramente, ser conectado a sistemas de pagamentos instantâneos de outros países, mas não apresentou detalhes sobre como essa integração poderia ocorrer.
No documento divulgado nesta segunda-feira, o Banco Central voltou a destacar o potencial das conexões entre plataformas de pagamentos instantâneos. A avaliação é de que esse tipo de integração pode diminuir tarifas, acelerar as operações, ampliar o acesso aos serviços financeiros e aumentar a transparência nas transações realizadas entre diferentes países.
O debate ocorre em um momento em que o Pix passou a ser citado pelo governo dos Estados Unidos em meio às tensões comerciais com o Brasil. As autoridades norte-americanas anunciaram uma tarifa de 25% sobre determinados produtos brasileiros e mencionaram, entre as justificativas apresentadas, supostas práticas comerciais consideradas desleais, incluindo questões relacionadas ao sistema de pagamentos brasileiro.
Apesar do cenário de pressão internacional, o Banco Central mantém a avaliação de que a expansão das conexões entre sistemas de pagamentos pode trazer ganhos de eficiência para consumidores e empresas.
A eventual integração do Pix com plataformas estrangeiras, no entanto, ainda está em fase de avaliação pelo Banco Central e não há, até o momento, um cronograma definido para sua implementação.
Por Jorge Brandão
