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Polícia

Polícia Civil prende oito integrantes de grupo investigado por 17 homicídios em PE


  • 12 de agosto de 2026 às 17h52min

A ação foi deflagrada após uma investigação iniciada em 2023 pela 4ª Delegacia de Polícia de Homicídios. (Foto: Reprodução)

Uma investigação iniciada após um homicídio no bairro do Totó, na Zona Oeste do Recife, levou a Polícia Civil de Pernambuco a identificar uma organização criminosa suspeita de envolvimento em uma série de crimes no estado. O grupo foi alvo, nesta quarta-feira (12), da Operação de Repressão Qualificada Revocation, que resultou na prisão de oito pessoas.

A ação foi deflagrada após uma investigação iniciada em 2023 pela 4ª Delegacia de Polícia de Homicídios (4ª DPH/DHPP). Além dos oito mandados de prisão cumpridos, as equipes policiais continuam as buscas por um nono investigado que permanece foragido.

Segundo a Polícia Civil, a organização investigada estaria envolvida com tráfico de drogas, homicídios, extorsões, porte ilegal de armas e lavagem de dinheiro. Ao longo da apuração, os investigadores conseguiram relacionar 17 homicídios à disputa territorial entre grupos criminosos que atuavam principalmente nas regiões do Curado I, em Jaboatão dos Guararapes, e do Totó, no Recife.

O crime que deu origem à investigação teria ocorrido durante uma tentativa de ataque entre integrantes de grupos rivais. Conforme a apuração, a vítima foi até o Totó com a intenção de matar um integrante de uma organização adversária, mas acabou sendo assassinada.

A vítima já era conhecida das forças de segurança e, de acordo com os investigadores, fazia parte do grupo que atuava principalmente no Curado I e disputava espaço com traficantes do Totó. A partir desse caso, a Polícia Civil ampliou as investigações e identificou outros crimes relacionados à rivalidade entre as organizações.

As investigações apontaram ainda que a organização era comandada por uma liderança que, mesmo depois de ser presa, continuava exercendo influência sobre os integrantes que permaneciam em liberdade.

Segundo a delegada Mariana Martins, o suspeito mantinha contato com os comparsas e, de dentro do sistema prisional, teria determinado a continuidade de atividades criminosas, incluindo homicídios e tráfico de drogas. Em 2025, o então líder da organização e a companheira dele foram sequestrados em João Pessoa, na Paraíba, e posteriormente mortos em Igarassu, em Pernambuco. O caso é investigado pela Divisão de Homicídios Metropolitana Norte (DHMN/PCPE).

De acordo com a Polícia Civil, a presença do grupo na Paraíba estaria relacionada a uma tentativa de ocultar seus integrantes, e não à expansão das atividades criminosas para o estado. A atuação identificada pela investigação estava concentrada principalmente no Curado I e no Totó, além do fornecimento de drogas para outras localidades.

A organização também é investigada por cobrar dívidas de seus próprios integrantes. Segundo a apuração, pessoas que ficavam devendo drogas eram pressionadas a entregar bens para quitar os débitos. Em algumas situações, familiares dos devedores também teriam sido alvo das cobranças.

Os investigadores identificaram ainda um esquema para esconder o patrimônio obtido com as atividades criminosas. Bens e valores seriam registrados em nome de terceiros ou mantidos fora do patrimônio formal das lideranças, com o objetivo de dificultar a identificação da origem dos recursos.

Durante a Operação Revocation, a Justiça determinou o bloqueio de aproximadamente R$ 800 mil vinculados aos investigados.

Apesar das medidas cumpridas nesta quarta-feira, não foram apreendidas armas ou drogas durante a operação. A Polícia Civil, no entanto, afirma ter reunido registros e outros elementos que apontam para a existência de um arsenal e para a movimentação de grandes quantidades de entorpecentes pelo grupo durante o período investigado.

Os oito presos foram encaminhados ao Centro de Observação e Triagem Professor Everardo Luna (Cotel), onde permanecem à disposição da Justiça. As equipes continuam mobilizadas para localizar o nono investigado. Segundo a delegada Mariana Martins, os envolvidos poderão responder por diferentes crimes, e a responsabilização será individualizada conforme a participação de cada um nas atividades investigadas. Entre os crimes apurados estão homicídio, tráfico de drogas, extorsão, porte ilegal de arma e lavagem de dinheiro.

Por Jorge Brandão