MPPE devolve à Polícia Civil inquérito sobre suspeita de envenenamento com mercúrio no Recife

O Ministério Público de Pernambuco (MPPE) devolveu à Polícia Civil o inquérito que apura a suspeita de tentativa de homicídio contra a artesã Denny de Souza Cardoso, de 43 anos, intoxicada por mercúrio no Recife. A promotoria apontou que ainda existem lacunas na investigação e determinou a realização de novas diligências antes de avaliar o oferecimento de denúncia contra Maria Aparecida Rodrigues de Araújo, investigada por supostamente colocar a substância na garrafa de água da vítima.
A requisição foi assinada pela promotora Rosângela Furtado Padela Alvarenga, da 28ª Promotoria de Justiça Criminal da Capital, que estabeleceu prazo de até 60 dias para o cumprimento das medidas. Entre as providências estão a perícia no celular usado pela vítima para gravar vídeos, a obtenção de imagens de câmeras de segurança do Hospital Oswaldo Cruz e a realização de novos depoimentos.
Um dos pontos destacados pelo MPPE envolve justamente os vídeos gravados por Denny, considerados pela Polícia Civil como elementos importantes da investigação. Segundo a promotoria, os arquivos ainda não foram formalmente apreendidos, incorporados ao inquérito ou submetidos a perícia, o que pode comprometer a chamada cadeia de custódia digital e a validade das imagens como prova.
A Polícia Civil deverá encaminhar o aparelho original utilizado pela vítima ao Instituto de Criminalística para uma extração forense dos arquivos e a produção de uma transcrição detalhada do conteúdo. A promotoria também solicitou as imagens do circuito interno do Hospital Oswaldo Cruz referentes aos dias 3 e 5 de junho de 2025, entre 10h e 16h, para verificar se os registros externos podem ajudar a esclarecer o que ocorreu.
Outra medida determinada é a oitiva de uma testemunha que mantinha relacionamento com a investigada e também era amiga da vítima. O depoimento deverá esclarecer a relação entre os envolvidos e possíveis conflitos anteriores relacionados a ciúmes e à convivência entre eles.
A Polícia Civil havia concluído o inquérito e indiciado Maria Aparecida por tentativa de homicídio qualificado. A investigação reuniu laudos que identificaram mercúrio metálico no líquido da garrafa, além de exames que apontaram intoxicação e absorção da substância pelo organismo da vítima. Apesar disso, o MPPE entende que ainda são necessárias outras provas para avaliar a apresentação de uma denúncia à Justiça.
A defesa da vítima também apresentou duas novas testemunhas para serem ouvidas pela Polícia Civil. Segundo a manifestação, elas podem fornecer informações sobre conflitos anteriores envolvendo a investigada, o namorado dela e Denny, além de relatos sobre as condições física e emocional da artesã no período em que os fatos ocorreram.
Por Mirelly Rodrigues
