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UFPE pesquisa impactos do derramamento de petróleo sobre comunidades pesqueiras


  • 15 de agosto de 2026 às 07h37min

Projeto ouviu pescadores de Pernambuco, Alagoas, Sergipe e Bahia. (Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil)

Quase sete anos após o derramamento de petróleo que atingiu o litoral nordestino, comunidades de pesca artesanal ainda enfrentam consequências do desastre. Para avaliar esses impactos e discutir formas de prevenção para novos episódios, pesquisadores da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) desenvolveram um projeto que ouviu pescadores e pescadoras de quatro estados.

O projeto “Petróleo e os Povos da Pesca Artesanal: Enfrentando o Racismo e a Injustiça Ambiental” é realizado desde janeiro de 2024, em parceria com organizações sociais e instituições ligadas à pesca artesanal. A pesquisa envolve comunidades de Pernambuco, Alagoas, Sergipe e Bahia, e os resultados serão apresentados durante um seminário em Tamandaré, no Agreste de Pernambuco.

Entre os principais impactos identificados estão a redução da renda das famílias, problemas relacionados à saúde e dificuldades de participação das comunidades nas decisões sobre os territórios onde vivem e trabalham. Durante o período de contaminação, a comercialização de pescados foi prejudicada, afetando diretamente trabalhadores que dependem da atividade.

Um estudo publicado em 2026 nos Cadernos de Saúde Pública, com 1.259 pescadores artesanais de Pernambuco, identificou diferentes níveis de exposição ao petróleo. Entre os entrevistados, 15,4% foram classificados no grupo de alta exposição. Nesse grupo, 77,8% tiveram contato com resíduos de petróleo, 81% relataram forte odor e 72,2% disseram ter apresentado irritação na pele.

A pesquisa também aponta dificuldades na atuação do poder público e na articulação com as comunidades. Os pesquisadores identificaram problemas como falta de integração entre órgãos, dificuldade de acesso às informações e pouca participação dos pescadores nas decisões relacionadas aos territórios pesqueiros.

Além dos efeitos provocados diretamente pelo petróleo, o projeto também considera outras vulnerabilidades existentes nas regiões, como falta de saneamento, lançamento de efluentes e riscos relacionados a atividades portuárias, embarcações e tubulações.

Uma das propostas da iniciativa é unir o conhecimento científico produzido pela universidade ao conhecimento tradicional das comunidades pesqueiras. Os pesquisadores também elaboraram levantamentos sobre riscos ambientais e áreas mais vulneráveis, com o objetivo de contribuir para uma resposta mais rápida diante de novos acidentes.

Os resultados do projeto serão discutidos entre os dias 17 e 19 de agosto, durante um seminário no Centro Nacional de Pesquisa e Conservação da Biodiversidade Marinha do Nordeste (CEPENE), em Tamandaré. A programação terá debates sobre saúde e trabalho após o desastre, impactos do petróleo sobre pescadores artesanais e atividades de validação dos resultados.

Ao final, os dados deverão ser organizados em relatórios, cartilhas, mapas, artigos científicos e trabalhos acadêmicos. A proposta é que esse material também seja utilizado pelas próprias comunidades na discussão de políticas públicas e na preparação para possíveis novos desastres ambientais.

Por Mirelly Rodrigues