Mulheres são maioria entre trabalhadores afastados por transtornos mentais

O número de trabalhadores afastados por transtornos mentais aumentou de forma expressiva no Brasil nos últimos anos, com as mulheres representando a maior parcela dos casos. Em 2025, elas responderam por cerca de 63% dos benefícios concedidos pelo Ministério da Previdência Social em razão de problemas de saúde mental.
Dos mais de 559 mil benefícios registrados no ano passado, aproximadamente 353 mil foram destinados a trabalhadoras. Entre os homens, foram contabilizados cerca de 206 mil afastamentos, evidenciando uma diferença significativa entre os gêneros. O total de afastamentos também apresentou forte crescimento no período. Em 2021, cerca de 188 mil pessoas receberam benefícios relacionados a transtornos mentais. Quatro anos depois, o número chegou a 559 mil, um aumento de aproximadamente 198%.
Entre as mulheres, fatores relacionados à sobrecarga de responsabilidades podem contribuir para o agravamento desse cenário. A situação é especialmente desafiadora para mães solo, que assumem sozinhas grande parte das responsabilidades relacionadas ao cuidado dos filhos, o que pode intensificar o desgaste físico e emocional.
Dados do Ministério da Saúde reforçam a preocupação com a saúde mental das trabalhadoras. Segundo a pasta, a proporção de transtornos mentais relacionados ao trabalho entre mulheres aumentou 14 pontos percentuais em uma década, passando de 58% em 2014 para 72% em 2024.
Além do aumento dos casos, o acesso ao atendimento também aparece como um dos principais desafios. No sistema público de saúde, o tempo de espera por consultas e tratamentos é apontado como um obstáculo para trabalhadores que precisam de acompanhamento especializado.
Por Jorge Brandão
