Moraes propõe uso de IA para ampliar combate ao crime organizado

O avanço da inteligência artificial pode se tornar uma ferramenta importante para enfrentar organizações criminosas no Brasil, segundo o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Para ele, o Poder Judiciário possui um amplo conjunto de informações na área criminal que pode ser melhor aproveitado com o auxílio da tecnologia.
A declaração foi feita nesta segunda-feira (24), durante as discussões promovidas pelo STF sobre o combate ao crime organizado. Moraes destacou que o uso de ferramentas de inteligência artificial poderia contribuir para analisar grandes volumes de dados e auxiliar na identificação de informações relevantes para investigações e processos criminais.
O ministro também ressaltou que a responsabilidade pelo enfrentamento das organizações criminosas não pode ficar concentrada no Poder Executivo ou nas forças policiais. Na avaliação de Moraes, a atuação conjunta das diferentes instituições do sistema de Justiça é fundamental para garantir uma resposta mais eficiente ao crime organizado. Ele citou a importância do trabalho do Ministério Público, da Defensoria Pública e do próprio Poder Judiciário, tanto nas ações de segurança pública quanto na aplicação das leis.
As declarações ocorrem durante uma audiência pública realizada nesta semana pelo STF para discutir a constitucionalidade da Lei 15.358/2026, conhecida como Lei Antifacção.
A legislação criou o chamado Marco Legal do Combate ao Crime Organizado e estabelece novas regras relacionadas ao enfrentamento de organizações criminosas. A audiência reúne autoridades, especialistas e representantes de diferentes setores para discutir os impactos e a constitucionalidade da nova legislação. O debate deverá contribuir para a análise da norma pelo Supremo.
Para Moraes, além do fortalecimento das instituições responsáveis pela segurança e pela Justiça, o uso estratégico de novas tecnologias pode ampliar a capacidade do Estado de identificar padrões, cruzar informações e combater estruturas criminosas cada vez mais complexas.
Por Jorge Brandão
