Juros elevados freiam economia e podem levar Fazenda a reduzir previsão para o PIB

O ritmo de crescimento da economia brasileira perdeu força no segundo trimestre de 2026, e o Ministério da Fazenda avalia que os juros elevados continuam pressionando a atividade econômica. A pasta apontou os efeitos da política monetária sobre o consumo, os investimentos e setores ligados à demanda interna após o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgar, nesta terça-feira (1º), alta de 0,5% do Produto Interno Bruto (PIB) entre abril e junho.
O resultado representa uma desaceleração em relação ao primeiro trimestre, quando a economia havia avançado 1,1%. O desempenho também ficou abaixo da estimativa de 0,8% feita pela Secretaria de Política Econômica (SPE) no Boletim Macrofiscal de julho. Por outro lado, o crescimento superou levemente a mediana das previsões do mercado, que estava em 0,4%.
Para o Ministério da Fazenda, o resultado agregado do PIB não traduz completamente a perda de dinamismo observada em parte da economia. Embora a agropecuária tenha apresentado desempenho acima do esperado, com crescimento de 2,8%, os setores de indústria e serviços tiveram avanços mais modestos, de 0,1% e 0,2%, respectivamente.
Na avaliação da equipe econômica, o desempenho desses segmentos ficou abaixo das projeções anteriores. Na indústria, os principais resultados abaixo do esperado foram registrados na indústria de transformação e nas atividades relacionadas a eletricidade, gás, água e saneamento.
Entre os serviços, também apresentaram desempenho inferior às estimativas da SPE os segmentos de comércio, atividades financeiras, imobiliárias e outros serviços.
Diante do resultado divulgado pelo IBGE, o Ministério da Fazenda sinalizou que poderá revisar para baixo sua projeção de crescimento da economia brasileira para 2026. A eventual mudança deverá considerar tanto a desaceleração registrada no segundo trimestre quanto os efeitos persistentes dos juros elevados sobre a atividade econômica.
A avaliação da Fazenda ocorre em um cenário de crescimento mais moderado, com a economia apresentando perda de ritmo após o avanço registrado nos primeiros três meses do ano.
Por Jorge Brandão
