Crédito caro aumenta riscos para famílias, e BC prepara medidas

O aumento do peso das dívidas no orçamento das famílias levou o Banco Central (BC) a preparar novas medidas para reduzir os riscos associados às modalidades de crédito de maior custo. O alerta ganhou força depois que o comprometimento da renda com o pagamento de dívidas atingiu o maior nível já registrado pela série histórica.
A iniciativa consta na ata da 66ª reunião do Comitê de Estabilidade Financeira (Comef), realizada nos dias 25 e 26 de agosto. O documento foi divulgado nesta quarta-feira (2) e reforça uma preocupação que já havia sido manifestada pelo presidente do BC, Gabriel Galípolo, durante a Febraban Tech na semana passada.
Segundo os dados mais recentes da autoridade monetária, o comprometimento da renda das famílias avançou de 28,5% em maio para 28,9% em junho. Esse foi o maior percentual desde o início da série, em março de 2011. Na prática, o indicador mostra a parcela da renda que já está comprometida com o pagamento de dívidas. Quanto maior esse percentual, menor tende a ser a margem financeira disponível para as famílias e maior o risco de dificuldades para manter os pagamentos em dia.
O nível de endividamento também permanece próximo do recorde. Em junho, o indicador ficou em 49,8%, apenas 0,1 ponto percentual abaixo da máxima histórica, de 49,9%.
O BC avalia que a participação elevada de linhas de crédito mais caras no conjunto das dívidas das famílias representa um fator de risco para a estabilidade financeira. Por isso, a instituição trabalha na elaboração de medidas que possam reduzir a exposição a esse tipo de financiamento.
A preocupação ocorre em um cenário de crédito mais caro, no qual o custo dos empréstimos pode ampliar o comprometimento da renda e dificultar a reorganização financeira das famílias.
Por Jorge Brandão
