Um em cada três brasileiros não tem reserva para imprevistos

Quase um terço dos brasileiros não possui dinheiro guardado para enfrentar emergências, como perda de renda, problemas de saúde ou despesas inesperadas. Um levantamento da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), em parceria com o Datafolha, mostra que 31% da população não tem uma reserva financeira.
Entre os 69% que afirmaram possuir algum valor guardado, 43% utilizariam todo o dinheiro em até seis meses caso precisassem recorrer à reserva. A pesquisa também aponta que somente 36% dos brasileiros possuem algum tipo de investimento financeiro.
Os dados mostram que ter uma renda maior não significa necessariamente possuir segurança financeira. Quando as despesas aumentam no mesmo ritmo do salário, a família pode continuar sem recursos suficientes para enfrentar uma emergência, mesmo mantendo um padrão de vida considerado confortável.
Esse comportamento pode surgir após uma promoção, uma mudança de emprego ou o crescimento de um negócio. Parte da renda adicional costuma ser destinada a novas despesas, como troca de carro, viagens, serviços e compras, enquanto a capacidade de guardar dinheiro permanece praticamente a mesma.
Outro ponto de atenção é a diferença entre patrimônio e dinheiro disponível. Uma família pode possuir imóveis, veículos e outros bens de valor, mas não ter recursos que possam ser utilizados rapidamente diante de uma necessidade urgente.
Para começar a formar uma reserva, a orientação é primeiro identificar quanto a família recebe, quais despesas são obrigatórias e quanto pode ser separado todos os meses. O valor destinado a emergências deve ser diferente do dinheiro reservado para objetivos de longo prazo, como aposentadoria, compra de imóvel ou realização de outros projetos.
Quem recebeu recentemente um aumento também pode definir antecipadamente qual parte do valor será usada para melhorar a qualidade de vida e qual será guardada. A medida permite aproveitar o crescimento da renda sem comprometer a construção de uma proteção financeira para o futuro.
A pesquisa reforça que a segurança não depende apenas do salário recebido, mas da capacidade de manter parte desse dinheiro disponível. Quando a renda aumenta, mas a reserva e o patrimônio permanecem iguais, pode ser necessário revisar a distribuição das despesas.
Por Mirelly Rodrigues
