Preços mundiais dos alimentos atingem maior nível desde 2022

O mercado internacional de alimentos voltou a registrar uma forte alta nos preços. Em agosto, o índice global calculado pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) alcançou o maior patamar desde o fim de 2022, em meio à influência de condições climáticas adversas sobre diferentes regiões produtoras.
O Índice de Preços dos Alimentos da FAO, que acompanha mensalmente as oscilações de uma cesta de produtos comercializados no mercado internacional, ficou em 133,3 pontos no mês passado. O resultado representa o nível mais elevado desde novembro de 2022, quando o indicador havia chegado a 135,7 pontos.
Apesar da alta, o índice ainda permanece distante do recorde histórico. Em março de 2022, logo após o início da guerra entre Rússia e Ucrânia, o indicador atingiu 159,7 pontos, o maior valor desde o início da série, em 1990. Os dois países têm participação relevante no mercado global de cereais e óleos vegetais, o que contribuiu para aumentar a pressão sobre os preços naquele período.
Agora, fatores climáticos voltam a ganhar destaque. O calor intenso e a falta de chuvas em partes da Europa vêm prejudicando a produção agrícola e afetando principalmente as lavouras de milho e beterraba sacarina. A atividade pecuária também sofre os efeitos das condições meteorológicas desfavoráveis.
As perspectivas para o mercado internacional também são influenciadas pelo El Niño, fenômeno caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial. A ocorrência do fenômeno pode afetar as condições de produção em diferentes regiões e aumentar os riscos para culturas importantes.
Na Ásia, por exemplo, o El Niño pode provocar impactos sobre a produção de óleo de palma e açúcar, aumentando as preocupações em relação à oferta desses produtos no mercado mundial. Com a combinação de eventos climáticos extremos e riscos relacionados ao El Niño, produtores e mercados internacionais permanecem atentos à evolução das safras e aos possíveis efeitos sobre os preços dos alimentos nos próximos meses.
Por Jorge Brandão
