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Caranguejos coletados em Pernambuco apresentam sinais de contaminação, aponta estudo


  • 5 de setembro de 2026 às 13h23min

O resultado, no entanto, não levou os pesquisadores a recomendar que o consumo de caranguejo seja interrompido. (Foto: Lacor/ Labomar/ UFC)

Caranguejos coletados em um manguezal de Itapissuma, no Litoral Norte de Pernambuco, apresentaram substâncias da família dos bisfenóis, segundo um estudo realizado por pesquisadores da Universidade Federal do Ceará (UFC). Os mesmos compostos também foram encontrados em animais coletados em Fortim, no Ceará.

A pesquisa identificou os bisfenóis A (BPA), F (BPF) e C (BPC), substâncias consideradas potencialmente tóxicas e que podem interferir no funcionamento do sistema hormonal. Os resultados chamam atenção para a presença de contaminantes nos ambientes de manguezal e para a necessidade de acompanhamento da qualidade desses ecossistemas.

As coletas foram realizadas em 2025. Para verificar a presença dos compostos, os pesquisadores analisaram amostras de urina e de hemolinfa dos crustáceos — líquido que exerce função semelhante à do sangue nos animais. A detecção dos bisfenóis nos dois tipos de amostra indica que as substâncias não estavam apenas presentes no ambiente externo, mas haviam sido absorvidas e estavam circulando pelo organismo dos caranguejos.

Em parte dos animais analisados, as concentrações encontradas ultrapassaram valores de ingestão diária tolerável estabelecidos como referência para seres humanos. O resultado, no entanto, não levou os pesquisadores a recomendar que o consumo de caranguejo seja interrompido.

O estudo destaca a importância de ampliar o monitoramento dos manguezais e de melhorar a gestão e o descarte de resíduos que podem chegar a esses ambientes. A presença dos contaminantes reforça a necessidade de acompanhar tanto a qualidade ambiental quanto a exposição da fauna que vive nesses ecossistemas.

Os pesquisadores ressaltam que os resultados servem como alerta para a contaminação dos manguezais, mas não significam, por si só, que o consumo dos caranguejos analisados represente risco direto à saúde humana.

Por Jorge Brandão