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Saúde

Menos de 5% dos transplantes renais no Brasil são realizados em crianças e adolescentes


  • 14 de setembro de 2026 às 07h31min

Em 2025, 315 pacientes pediátricos receberam um novo rim; mais de 90% das pessoas na fila por um órgão aguardam transplante renal. (Foto: Reprodução)

Apenas 4,6% dos transplantes renais realizados no Brasil em 2025 foram em crianças e adolescentes. Dos 6.706 procedimentos feitos ao longo do ano, 315 atenderam pacientes pediátricos, segundo dados do Sistema Nacional de Transplantes (SNT), do Ministério da Saúde.

Atualmente, mais de 49 mil brasileiros aguardam por um transplante de órgão. Mais de 90% dessas pessoas estão à espera de um rim. Um dos obstáculos para aumentar o número de procedimentos é a recusa familiar, registrada em aproximadamente 45% dos casos de possíveis doadores falecidos.

A doença renal crônica é caracterizada por uma alteração no funcionamento dos rins que permanece por mais de três meses. O tratamento depende do estágio da doença e pode incluir medicamentos, acompanhamento especializado e orientação nutricional. Quando a capacidade dos rins cai para menos de 10% a 15%, o paciente pode precisar de diálise peritoneal, hemodiálise ou transplante.

Nas crianças, a doença renal crônica costuma estar relacionada a problemas diferentes dos encontrados na população adulta. Entre as causas estão malformações dos rins e do trato urinário, displasia renal, obstruções urinárias, refluxo e outras doenças que atingem o funcionamento dos órgãos.

Durante o tratamento, a hemodiálise pode exigir de três a cinco sessões por semana, com duração de várias horas. A rotina também envolve cuidados com a alimentação e a quantidade de líquidos ingeridos, além de possíveis restrições a atividades comuns da infância.

O transplante pode ser realizado com um rim de doador vivo ou falecido, após avaliações de compatibilidade e segurança. Nos casos pediátricos, o tamanho do órgão também precisa ser considerado, especialmente quando o paciente é uma criança pequena.

Após a cirurgia, é necessário usar medicamentos continuamente para evitar a rejeição do novo rim e manter o acompanhamento com especialistas. O transplante pode reduzir as limitações provocadas pela doença e permitir que a criança retome atividades escolares e sociais com maior regularidade.

A divulgação dos dados ocorre durante o Setembro Verde, mês dedicado à conscientização sobre a doação de órgãos. Uma pessoa doadora pode beneficiar até oito pacientes, mas, no Brasil, a retirada dos órgãos após a morte depende da autorização da família.

Por Mirelly Rodrigues