Correios terão de manter 80% do quadro em atividade durante greve

A greve nacional dos trabalhadores dos Correios terá de manter pelo menos 80% do efetivo em atividade em cada unidade da empresa. A determinação foi dada pelo Tribunal Superior do Trabalho (TST) em decisão liminar concedida no último sábado (12), após solicitação apresentada pelos próprios Correios.
A medida vale para diferentes setores da empresa, incluindo unidades de atendimento, áreas administrativas e atividades de suporte consideradas essenciais para a continuidade dos serviços postais. Apesar da decisão judicial, a paralisação continua. Em nota, a Federação dos Trabalhadores e Trabalhadoras da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos e das Empresas de Comunicações (Findect) informou que a greve, iniciada na última quinta-feira (10), segue sem previsão de término.
O TST ainda deverá avaliar a legalidade da paralisação e as reivindicações apresentadas pelos trabalhadores. A categoria rejeitou a proposta de acordo coletivo e tem como um dos principais pontos de divergência o plano de saúde oferecido a empregados, aposentados e dependentes.
O julgamento do dissídio coletivo está previsto para o próximo dia 21. Até a data, ainda existe a possibilidade de que trabalhadores e empresa cheguem a um acordo.
Crise financeira dos Correios
A paralisação ocorre em meio a um cenário de dificuldades financeiras enfrentado pelos Correios. A empresa registrou prejuízo de R$ 2,4 bilhões no segundo trimestre e busca alternativas para reforçar o caixa. Entre as medidas adotadas está o pedido de garantia do Tesouro Nacional para viabilizar a contratação de um novo empréstimo de R$ 7 bilhões junto a bancos privados.
Os Correios sustentam que a greve acontece justamente durante esse período de crise e que a continuidade dos serviços é necessária para reduzir os impactos da paralisação sobre as operações da empresa.
Por Jorge Brandão
