Possível fim da escala 6×1 preocupa nove em cada dez empresas, aponta pesquisa

Nove em cada dez empresas esperam ser afetadas caso seja aprovada a proposta que reduz a jornada de trabalho e estabelece o fim da escala 6×1. O dado faz parte de uma pesquisa realizada pela Carreira Muller com 486 companhias.
Do total consultado, 72,43% possuem funcionários trabalhando atualmente na escala de seis dias de serviço para um de descanso. Para 49,09% das empresas, o impacto da mudança seria alto, enquanto 23,74% consideram que seria muito alto.
A maior preocupação está relacionada ao aumento dos custos trabalhistas, apontado por 82,96% das companhias. A necessidade de reorganizar escalas e turnos foi citada por 77,63%, seguida pela dificuldade para manter o funcionamento das operações, com 44,75%.
Também aparecem entre os possíveis efeitos a queda de produtividade, mencionada por 38,36%, e a necessidade de contratar novos funcionários, citada por 33,30%. As áreas de operações e produção devem ser as mais afetadas, segundo 72,37% das empresas. Na sequência estão logística, atendimento ao cliente, manutenção e setores administrativos e financeiros.
A pesquisa mostra que poucas companhias se consideram totalmente preparadas para uma eventual mudança. Apenas 3,42% deram nota máxima ao próprio nível de preparação, enquanto 50,23% disseram estar em um estágio intermediário. Outros 25,11% afirmaram estar pouco ou nada preparados.
A falta de planejamento também aparece nos prazos. Entre as empresas ouvidas, 43,84% ainda não definiram quando começariam a implementar as mudanças. Outros 28,77% pretendem agir imediatamente após uma eventual aprovação, enquanto 18,64% calculam que precisariam de até três meses.
Pequenas e médias empresas podem enfrentar maior dificuldade para reorganizar equipes, horários e custos por não contarem, em muitos casos, com estruturas de recursos humanos preparadas para mudanças desse porte.
A proposta prevê a redução gradual da jornada máxima semanal de 44 para 40 horas e dois dias de descanso remunerado. O texto foi aprovado pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado no dia 2 de setembro e ainda precisa ser analisado pelo plenário.
Por Mirelly Rodrigues
