Banco Central reduz Selic para 13,75% ao ano

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central reduziu a taxa Selic de 14% para 13,75% ao ano. A decisão, anunciada nesta quarta-feira (16), representa um corte de 0,25 ponto percentual e confirmou a expectativa predominante do mercado financeiro.
Este foi o quinto corte consecutivo desde março, quando o Banco Central iniciou o ciclo de redução após manter a taxa em 15% ao ano durante nove meses. Desde então, a Selic acumula uma queda de 1,25 ponto percentual.
No comunicado divulgado após a reunião, o Copom não garantiu novos cortes e informou que as próximas decisões dependerão do comportamento da inflação, da atividade econômica, do mercado de trabalho e do cenário internacional. As próximas reuniões estão previstas para os dias 3 e 4 de novembro e 8 e 9 de dezembro.
Economia desacelera, mas inflação ainda preocupa
A redução ocorreu em meio a sinais de perda de força da economia. O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), considerado uma prévia do Produto Interno Bruto (PIB), caiu 0,2% em julho na comparação com junho, registrando o segundo recuo mensal consecutivo.
A inflação também apresentou desaceleração. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) recuou 0,32% em agosto, enquanto a estimativa do mercado para a inflação de 2026 caiu de 5% para 4,9%.
Apesar da redução, a projeção continua acima do teto da meta, que é de 4,5%. O centro da meta estabelecida para o país é de 3%.
Entre os fatores que ainda preocupam o Banco Central estão a inflação dos serviços, a alta do petróleo, uma possível desvalorização prolongada do real e os efeitos das contas públicas sobre os preços e os mercados financeiros.
Como a Selic afeta a população
A Selic é a taxa básica de juros da economia e influencia os juros cobrados em empréstimos, financiamentos e cartões de crédito. Quando ela diminui, o crédito pode ficar mais barato, embora essa redução nem sempre chegue imediatamente ao consumidor.
A queda também interfere nos investimentos. Aplicações de renda fixa ligadas à Selic ou ao CDI tendem a render menos, enquanto juros menores podem estimular o consumo, os investimentos das empresas e a atividade econômica.
Mesmo com o novo corte, a taxa brasileira continua elevada. O Banco Central deve manter cautela nas próximas reuniões diante das incertezas sobre a inflação no Brasil e do aumento dos juros em economias como Estados Unidos e países da zona do euro.
