Polícia Científica de PE promove treinamento para aprimorar perícias balísticas

O Instituto de Criminalística (IC) da Polícia Científica de Pernambuco está sediando, nesta semana, uma capacitação nacional voltada à microcomparação balística. O curso é promovido pela Secretaria Nacional de Segurança Pública (SENASP) e reúne peritos criminais das diferentes regiões do estado.
A formação faz parte de uma iniciativa nacional para padronizar os procedimentos utilizados em exames de balística forense. A proposta é estabelecer critérios técnicos comuns entre os estados, contribuindo para que os resultados das perícias sigam parâmetros adotados nacionalmente.
A microcomparação balística é utilizada para verificar possíveis relações entre projéteis e armas de fogo. Durante o exame, os peritos analisam, por meio de um comparador balístico, as marcas deixadas nos materiais para verificar se diferentes projéteis podem ter sido disparados pela mesma arma.
De acordo com o perito criminal Daniel Amorim, o procedimento tem papel relevante na investigação de crimes. O equipamento permite observar simultaneamente dois elementos, como um projétil recolhido em uma cena de crime e outro obtido durante a análise de uma arma apreendida.
A comparação pode ainda ajudar a estabelecer conexões entre ocorrências distintas. Quando características deixadas pelo mesmo armamento são identificadas em diferentes materiais, os peritos conseguem apontar uma possível relação entre os casos, contribuindo para o trabalho investigativo.
Um dos resultados obtidos por Pernambuco ocorreu no âmbito do Banco Nacional de Perfis Balísticos. Segundo o perito, no início de 2023, o estado registrou o primeiro chamado “match” interestadual do Brasil.
O caso envolveu um homicídio ocorrido na Paraíba. O projétil relacionado à ocorrência foi inserido no banco nacional e, aproximadamente seis meses depois, uma arma apreendida em Pernambuco passou por análise. O cruzamento dos perfis indicou que o armamento apresentava correspondência com o material relacionado ao crime ocorrido na Paraíba.
A tecnologia permite, dessa forma, confrontar informações provenientes de diferentes ocorrências e estados, possibilitando a identificação de vínculos que poderiam não ser percebidos por meio da análise isolada dos casos.
Atualmente, Pernambuco dispõe de equipamentos de microcomparação balística em unidades da Polícia Científica. O Instituto de Criminalística, no Recife, conta com três aparelhos, enquanto as unidades regionais de Caruaru e Petrolina também possuem equipamentos destinados a esse tipo de exame.
Por Jorge Brandão
