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Saúde

Anvisa aprova novo medicamento oral para câncer de mama avançado


  • 23 de setembro de 2026 às 12h47min

Etcamah é destinado a pacientes com tumor ER positivo, HER2 negativo e mutação no gene ESR1. (Foto: Reprodução)

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o registro do Etcamah, medicamento de uso oral indicado para o tratamento de adultos com câncer de mama localmente avançado ou metastático. A aprovação foi anunciada nesta semana.

O medicamento tem como princípio ativo o camizestranto e é destinado a um grupo específico de pacientes: aqueles com tumor positivo para receptor de estrogênio (ER+), negativo para o receptor HER2 e com mutação no gene ESR1 identificada durante o tratamento.

Também é necessário que o paciente tenha realizado terapia endócrina combinada com um inibidor de CDK4/6 por pelo menos seis meses e ainda não apresente sinais de progressão clínica ou radiológica da doença.

Segundo a Anvisa, a mutação no gene ESR1 pode tornar as células tumorais resistentes aos tratamentos hormonais tradicionais. O novo medicamento representa uma alternativa direcionada para pacientes que apresentam essa alteração genética.

O Etcamah pertence à classe dos degradadores seletivos do receptor de estrogênio, conhecidos pela sigla SERD. Ele atua bloqueando e promovendo a degradação dos receptores de estrogênio presentes nas células tumorais, reduzindo o crescimento dos tumores que dependem desse hormônio.

A indicação depende de avaliação médica e da realização de testes capazes de identificar as características moleculares do tumor. O medicamento não é indicado para todos os casos de câncer de mama.

Câncer de mama

O câncer de mama ocorre quando células anormais se multiplicam de forma descontrolada e formam um tumor com capacidade de invadir outros tecidos e órgãos. Existem diferentes tipos da doença, alguns com evolução mais rápida e outros com desenvolvimento mais lento.

O risco aumenta principalmente após os 50 anos, mas a doença também pode atingir mulheres mais jovens. Entre os fatores relacionados estão histórico familiar, alterações hereditárias nos genes BRCA1 e BRCA2, obesidade após a menopausa, sedentarismo, consumo de bebidas alcoólicas e exposição frequente ou em altas doses à radiação ionizante.

O câncer de mama também pode ocorrer em homens, embora represente uma parcela pequena dos diagnósticos.

O sinal mais comum é o aparecimento de um nódulo endurecido, fixo e geralmente indolor. Outros sintomas que precisam ser investigados incluem alterações no mamilo, saída espontânea de líquido, pequenos nódulos nas axilas ou no pescoço e mudanças na pele da mama, que pode ficar avermelhada, retraída ou com aparência semelhante à casca de laranja.

Ao perceber qualquer alteração, a orientação é procurar uma unidade de saúde, independentemente da idade. A confirmação do diagnóstico é feita por meio de exames médicos e análise histopatológica, conhecida como biópsia.

Mamografia e tratamento

Desde 2025, o Ministério da Saúde recomenda, no Sistema Único de Saúde (SUS), a realização de mamografia de rastreamento a cada dois anos para mulheres de 50 a 74 anos que não apresentam sinais ou sintomas. Mulheres fora dessa faixa também podem realizar o exame quando houver indicação médica ou suspeita clínica.

O tratamento depende do tipo e do estágio da doença, além das condições clínicas de cada paciente. As opções podem envolver cirurgia, radioterapia, quimioterapia, terapia hormonal, imunoterapia e medicamentos direcionados a características específicas do tumor.

A aprovação do camizestranto amplia as possibilidades de tratamento personalizado, especialmente para pacientes com câncer de mama avançado e mutação no gene ESR1. O diagnóstico precoce, porém, continua sendo fundamental para aumentar as chances de sucesso do tratamento.

Por Mirelly Rodrigues