Uso crescente do celular exige cuidados com as mãos entre idosos

O celular está cada vez mais presente na rotina da população idosa. O aparelho facilita a comunicação com familiares, o acesso a serviços e a busca por informações, mas o uso por períodos prolongados também exige atenção à sobrecarga das mãos, dos punhos, dos braços e do pescoço.
Em 2025, 74,5% dos brasileiros com 60 anos ou mais utilizaram a internet, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O percentual cresceu 4,4 pontos em relação ao ano anterior, representando o maior avanço proporcional entre as faixas etárias.
A posse de aparelhos também aumentou. No mesmo período, 80,3% das pessoas idosas possuíam telefone celular para uso pessoal, diante de 78,3% em 2024.
O uso do celular, isoladamente, não é responsável por provocar lesões. No entanto, movimentos repetitivos, como digitar e deslizar a tela, além da permanência das mãos e dos punhos na mesma posição, podem favorecer o aparecimento ou o agravamento de dores.
O presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia da Mão (SBCM), Roberto Luiz Sobania, explica que a sobrecarga merece atenção especial nessa faixa etária. Com o envelhecimento, ocorre redução da massa muscular e desgaste das articulações, o que pode aumentar a possibilidade de dor e exigir pausas mais frequentes.
O desconforto pode ser mais intenso entre pessoas que já apresentam artrose, principalmente nas articulações próximas às pontas dos dedos e na base do polegar. Segurar o aparelho com as duas mãos e digitar continuamente com os polegares pode aumentar a pressão nessas regiões.
Como reduzir a sobrecarga
A recomendação não é abandonar o celular, mas adaptar a forma de utilizá-lo. Fazer pausas, alternar as atividades e recorrer a mensagens de áudio ou à digitação por voz são medidas que podem diminuir a repetição dos movimentos.
Outra opção é segurar o aparelho com uma das mãos e utilizar o dedo indicador da outra para tocar na tela. Embora essa posição possa reduzir a velocidade da digitação, ela tende a oferecer mais conforto e diminuir a sobrecarga dos polegares.
A postura também precisa ser observada. Manter a cabeça inclinada por longos períodos pode sobrecarregar o pescoço, enquanto sustentar o aparelho continuamente exige esforço dos braços e das mãos. O uso de um suporte que deixe a tela próxima à altura dos olhos pode tornar a posição mais confortável.
Para atividades mais demoradas, como escrever textos longos, preencher formulários ou fazer pesquisas, a orientação é utilizar um computador sempre que possível. A tela maior permite manter os pés apoiados no chão, a coluna encostada e os antebraços apoiados sobre a mesa.
Alongamentos e exercícios de fortalecimento das mãos e dos punhos também podem ajudar a preservar a musculatura e proteger as articulações. As atividades, porém, devem ser adequadas às condições de saúde de cada pessoa e orientadas por um profissional quando já houver dor ou limitação.
Sinais de alerta
Uma dor ocasional após um período prolongado de uso pode melhorar com repouso e redução do tempo diante da tela. Quando o desconforto persiste ou começa a prejudicar tarefas simples, é importante procurar atendimento especializado.
Dificuldade para segurar objetos, girar chaves, abrir potes e garrafas ou utilizar o celular por poucos minutos deve ser avaliada. A atenção precisa ser ainda maior quando existem deformidades nos dedos, estalos ou sensação de atrito na base do polegar, sinais que podem indicar alterações nas articulações.
Segundo o especialista, pequenas mudanças na utilização do aparelho podem ajudar a preservar o conforto e a autonomia das pessoas com mais de 60 anos, permitindo que a tecnologia continue facilitando a rotina sem se transformar em fonte de dor.
Por Mirelly Rodrigues
