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Educação

Brasil gasta cerca de um terço da média da OCDE por aluno


  • 29 de setembro de 2026 às 21h42min

País investiu US$ 4.133 por estudante em 2023, enquanto a média das nações avaliadas pela organização foi de US$ 13.601. (Foto: Reprodução)

O Brasil destinou, em 2023, US$ 4.133 por aluno ao ano, considerando todas as etapas que vão do ensino fundamental ao superior. O valor representa aproximadamente 30% da média registrada pelos países avaliados pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), que foi de US$ 13.601 por estudante.

Os dados fazem parte da edição 2026 do relatório Panorama da Educação (Education at a Glance), divulgado nesta terça-feira (29). O levantamento reúne informações de 50 países e apresenta indicadores sobre investimentos, estrutura e desafios enfrentados pelos sistemas educacionais.

Na América Latina, o investimento brasileiro por estudante também ficou abaixo dos valores registrados por outros países analisados. No Chile, o gasto anual chegou a US$ 5.794 por aluno, enquanto na Costa Rica alcançou US$ 7.028. Os valores foram ajustados pela OCDE para considerar as diferenças no custo de vida entre os países.

Participação no PIB

Embora o gasto por estudante esteja abaixo da média da OCDE, o Brasil destinou uma parcela maior do Produto Interno Bruto (PIB) à educação. Em 2023, o investimento público no setor correspondeu a 4,5% do PIB brasileiro, ante uma média de 4% entre os países da organização.

O Ministério da Educação destacou, no entanto, que o relatório aponta uma redução da participação da educação no PIB ao longo dos anos. Entre 2015 e 2023, o indicador caiu de 5,5% para 4,6% no Brasil, enquanto a média dos países da OCDE com dados disponíveis para os dois períodos passou de 4,4% para 4,2%.

Diferenças entre etapas de ensino

O levantamento também mostra que o valor investido por estudante aumenta conforme o avanço nas etapas educacionais.

No Brasil, o gasto anual por aluno nos primeiros anos do ensino fundamental, do 1º ao 5º ano, foi de US$ 4.064 em 2023. Nos anos finais, do 6º ao 9º ano, o valor subiu para US$ 4.390.

Na média dos países da OCDE, os investimentos foram maiores: US$ 12.893 por estudante nos primeiros anos do ensino fundamental e US$ 14.291 nos anos finais.

Salários concentram maior parte das despesas

O relatório divide os gastos educacionais entre despesas de capital, relacionadas a investimentos como infraestrutura, e despesas correntes, destinadas à manutenção das atividades.

No Brasil, a remuneração dos profissionais da educação representa a maior parcela das despesas correntes. Cerca de 75% dos recursos destinados à operação do ensino fundamental são utilizados para o pagamento de professores e demais trabalhadores da área.

O percentual brasileiro está próximo da média registrada pela OCDE, de 79%.

O Education at a Glance 2026 reúne indicadores sobre os sistemas educacionais dos países integrantes da OCDE e também do Brasil, que participa do programa INES, voltado à produção e análise de indicadores educacionais. O estudo ainda apresenta informações de países do G20 e de nações que estão em processo de adesão à organização.

Por Viliane Gomes