Três em cada dez pernambucanas viveram situações de violência sem reconhecê-las como tal

Três em cada dez mulheres de Pernambuco viveram, nos 12 meses anteriores à pesquisa, pelo menos uma situação de violência doméstica ou familiar, mas não declararam espontaneamente ter sofrido violência. O percentual é de 30%, próximo ao índice nacional de 29%, e está dentro da margem de erro da pesquisa.
Os dados fazem parte da atualização do Mapa Nacional da Violência de Gênero, que passou a reunir os resultados estaduais da 11ª Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher, realizada pelo DataSenado em 2025.
O levantamento ouviu 21.641 mulheres com 16 anos ou mais, entre maio e julho de 2025, por meio de uma amostra probabilística. A pesquisa diferencia a violência declarada diretamente pelas entrevistadas das situações de violência identificadas a partir de perguntas sobre experiências específicas, como insultos, humilhações, ameaças e outras agressões.
Em Pernambuco, 30% das mulheres disseram já ter sofrido violência doméstica ou familiar provocada por um homem ao longo da vida. Entre elas, 17% afirmaram que a violência aconteceu nos 12 meses anteriores à pesquisa.
Entre as pernambucanas que relataram violência provocada por um homem, 83% disseram ter sofrido violência física, 80% violência psicológica e 77% violência moral. Em 69% dos casos, o agressor era o marido ou companheiro da vítima no momento da agressão.
O levantamento também mostra que 15% das vítimas no estado ainda convivem com a pessoa que as agrediu. Entre essas mulheres, 69% disseram morar com o agressor.
Outro dado aponta os impactos da violência na vida das vítimas. Para 81% das mulheres que terminaram o relacionamento com o agressor, a violência teve muita influência na decisão. Além disso, 67% relataram impactos no convívio com outras pessoas, 58% na rotina diária, 45% na vida profissional e 39% nos estudos.
A pesquisa também identificou falta de conhecimento sobre mecanismos de proteção. Em Pernambuco, 92% das mulheres disseram conhecer ou já ter ouvido falar da Delegacia da Mulher, enquanto 74% conhecem o Ligue 180. Já 63% afirmaram conhecer pouco a Lei Maria da Penha e 14% disseram não conhecer nada sobre a legislação. Em relação às medidas protetivas, 64% disseram conhecê-las pouco e 20% afirmaram não ter conhecimento sobre o recurso.
No cenário nacional, a diferença entre a violência declarada e as situações efetivamente relatadas também é significativa. Apenas 4% das brasileiras disseram espontaneamente ter sofrido violência doméstica ou familiar nos 12 meses anteriores à pesquisa. Quando questionadas sobre situações específicas, sem a utilização direta do termo “violência”, o percentual chegou a 33%.
Por Mirelly Rodrigues
