Pernambuco registra 27 conflitos agrários no primeiro semestre de 2026

Pernambuco registrou 27 conflitos agrários no primeiro semestre de 2026, segundo dados parciais da Comissão Pastoral da Terra. O número coloca o estado na décima posição do Brasil e na terceira entre os estados do Nordeste com mais ocorrências no período.
Na metodologia da CPT, o termo conflito agrário não significa necessariamente que houve violência. A classificação reúne disputas relacionadas principalmente à posse e ao uso da terra, além de conflitos por água e situações de trabalho análogo à escravidão.
Em todo o país, foram registrados 841 conflitos no campo nos primeiros seis meses do ano. Desse total, 711 estão relacionados à luta pela terra, 100 à disputa por água e 30 a casos de trabalho análogo à escravidão.
O número nacional representa uma alta em relação ao primeiro semestre de 2025, quando foram contabilizados 798 conflitos. As ocorrências relacionadas à disputa pela terra também aumentaram, passando de 584 para 663 registros.
O Maranhão lidera o ranking, com 156 conflitos, seguido pelo Pará, com 90, e pela Bahia, com 85. Rondônia e Amazonas aparecem na sequência, com 63 ocorrências cada.
Apesar do aumento dos conflitos, o número de ocupações e acampamentos caiu de 66 para 48 em todo o país. A CPT também aponta crescimento nos registros de contaminação por agrotóxicos, invasão de territórios, desmatamento ilegal e ameaças de despejo.
Violência no campo
O levantamento registrou seis assassinatos relacionados a conflitos no campo no primeiro semestre. As vítimas tinham entre 14 e 45 anos e incluíram posseiros, indígenas e um trabalhador rural sem-terra.
Apesar da queda no número de mortes, a CPT contabilizou 588 casos de violência contra a pessoa e 497 vítimas, números superiores aos registrados no mesmo período do ano passado. Entre os principais motivos estão a contaminação por minérios, com 195 casos, e por agrotóxicos, com 132.
Os povos indígenas aparecem como o grupo mais atingido, seguidos por trabalhadores sem-terra, posseiros, seringueiros e quilombolas.
Por Mirelly Rodrigues
