Ibovespa despenca mais de 17% e ameaça recorde negativo desde o Plano Real

A Bolsa brasileira enfrentou um pregão de forte instabilidade nesta segunda-feira (26), após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). No pior momento do dia, o Ibovespa, principal indicador do mercado acionário nacional, chegou a recuar mais de 17%, em um movimento de aversão dos investidores aos ativos brasileiros.
A intensidade da desvalorização colocou o índice próximo de um dos maiores recuos diários desde a implantação do Plano Real, em 1994. O cenário foi analisado em um levantamento da Elos Ayta, que reúne as dez quedas mais expressivas da Bolsa brasileira desde aquele período.
O estudo mostra que episódios de origem internacional predominam entre as maiores perdas registradas ao longo da série histórica. Entre os dez eventos destacados, apenas um foi associado a um fator doméstico: a queda de 10,50% observada em setembro de 1994, após a repercussão das declarações do então ministro da Fazenda, Rubens Ricupero.
O episódio ficou conhecido como “escândalo da parabólica” e provocou incertezas sobre a continuidade do Plano Real, contribuindo para a turbulência no mercado financeiro naquele momento.
O maior recuo diário citado no levantamento ocorreu em setembro de 1998, quando o Ibovespa perdeu 15,83% em meio à crise financeira da Rússia e à retirada de recursos de mercados emergentes. Antes disso, em outubro de 1997, a crise asiática havia provocado uma queda de 14,98% no indicador.
A comparação histórica dimensiona a magnitude do movimento registrado nesta segunda-feira e evidencia como acontecimentos políticos, econômicos e internacionais podem afetar o comportamento dos investidores e os preços dos ativos negociados na Bolsa.
Por Jorge Brandão
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