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Saúde

Estudo reforça segurança do paracetamol na gestação


  • 17 de janeiro de 2026 às 06h56min

Análise inédita com dados de mais de 400 mil crianças descarta relação entre o uso do medicamento na gravidez e autismo, TDAH ou deficiência intelectual. (Foto: Reprodução)

Um amplo estudo científico publicado nesta sexta-feira (16) no periódico The Lancet Obstetrics, Gynaecology & Women’s Health concluiu que o uso de paracetamol durante a gravidez não aumenta o risco de alterações no neurodesenvolvimento infantil, como autismo, transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) ou deficiência intelectual.

A pesquisa, conduzida por especialistas da City St George’s, Universidade de Londres, é considerada a mais rigorosa já realizada sobre o tema. Os pesquisadores analisaram de forma sistemática 43 estudos anteriores, reunindo evidências de alta qualidade para avaliar a segurança do medicamento em gestantes.

De acordo com a professora de Obstetrícia e Medicina Materno-Fetal Asma Khalil, que liderou o trabalho, os resultados trazem tranquilidade às futuras mães. “O paracetamol continua sendo a principal opção recomendada para tratar dor e febre na gravidez, desde que utilizado conforme as orientações médicas. Os dados confirmam que ele permanece seguro”, afirmou em comunicado.

Para reduzir possíveis distorções presentes em pesquisas anteriores, o estudo deu especial atenção a análises comparativas entre irmãos — metodologia que permite controlar fatores genéticos, ambientais e familiares. Nesse recorte, foram avaliadas mais de 260 mil crianças em relação ao autismo, 335 mil para TDAH e mais de 400 mil para deficiência intelectual.

Os resultados mostraram que não há diferença significativa entre crianças expostas ao paracetamol durante a gestação e aquelas cujas mães não utilizaram o medicamento. Segundo os autores, associações observadas em estudos passados provavelmente estavam ligadas a fatores como predisposição genética materna, febre ou dor intensa durante a gravidez, e não ao efeito direto do remédio.

A equipe também avaliou o risco de viés de cada estudo com ferramentas internacionais de qualidade científica e constatou que a ausência de associação se manteve mesmo nos trabalhos considerados mais robustos e com acompanhamento superior a cinco anos.

Embora os pesquisadores reconheçam limitações — como a falta de dados detalhados sobre trimestre de uso, frequência ou diferenças por sexo do bebê —, o conjunto das evidências reforça as recomendações das principais entidades médicas globais.

Para os autores, evitar o paracetamol em casos de dor ou febre significativa pode representar riscos reais para a saúde da mãe e do bebê. A expectativa é que a revisão ajude a encerrar dúvidas e desinformações sobre o uso do medicamento durante a gestação.