MEC aponta 99 cursos de Medicina com baixo desempenho no Enamed

O Ministério da Educação divulgou nesta segunda-feira (19) os resultados da primeira edição do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed), que avaliou 351 cursos de Medicina em todo o país. Do total, 99 obtiveram notas 1 ou 2 e poderão sofrer sanções.
Em Pernambuco, três instituições receberam nota 2: a Faculdade de Medicina de Olinda, o Centro Universitário Maurício de Nassau (Recife) e a Afya Faculdade de Ciências Médicas de Jaboatão dos Guararapes.
Entre os cursos mal avaliados, oito terão vestibulares suspensos, 13 terão redução de 50% das vagas e 33 sofrerão corte de 25%. Além disso, haverá suspensão do Fies e restrição na participação em programas federais. Outros 45 cursos não poderão ampliar vagas.
A Secretaria de Regulação e Supervisão da Educação Superior (Seres) instaurará processos administrativos para acompanhar as instituições. As universidades poderão recorrer, mas, caso as justificativas não sejam aceitas, as sanções valerão até nova avaliação no próximo Enamed.
O ministro da Educação, Camilo Santana, destacou que o objetivo é garantir qualidade na formação médica. “Não se trata de punição, mas de assegurar que instituições que cobram mensalidades elevadas ofereçam ensino adequado”, afirmou. Ele também anunciou que o governo pretende propor ao Congresso que o MEC passe a supervisionar universidades municipais, que tiveram o pior desempenho: 87,5% delas ficaram com notas 1 e 2.
Já o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, reforçou a importância da medida para o Sistema Único de Saúde (SUS). “A formação médica é decisiva para termos um SUS de qualidade”, disse.
Dos 39.258 concluintes avaliados, 67% apresentaram desempenho considerado satisfatório. O Enamed substituiu o Enade para Medicina em 2025, ampliando a prova de 40 para 100 questões. A partir de 2026, também será aplicado no 4º ano do curso.
A Afya Faculdade de Ciências Médicas de Jaboatão informou que aguarda esclarecimentos técnicos do MEC e do Inep antes de se posicionar. O Diario de Pernambuco não obteve resposta da Nassau Recife e da Faculdade de Medicina de Olinda até o fechamento da reportagem.
