Brasil registra 1,6 milhão de crianças e adolescentes em trabalho infantil

O Brasil tinha 1,6 milhão de crianças e adolescentes entre 5 e 17 anos em situação de trabalho infantil em 2024, segundo dados do IBGE. Apesar da dimensão do problema, menos de 1% desse total foi alcançado pela fiscalização do Ministério do Trabalho. Ao longo do ano, apenas 2.745 jovens foram afastados dessas atividades, o equivalente a cerca de 0,2% do universo estimado.
Enquanto isso, as denúncias aumentaram. Só o Disque 100 recebeu cerca de 4,2 mil registros envolvendo trabalho infantil em 2024, número que subiu para mais de 5,1 mil em 2025. No Ministério Público do Trabalho, as notificações chegaram a 7,9 mil neste ano, alta de 36,6%, com São Paulo, Minas Gerais e Paraná liderando os casos.
Especialistas apontam que o baixo alcance da fiscalização não indica redução do problema, mas limitações estruturais, como déficit de auditores-fiscais, fragilidade da assistência social nos municípios, falta de capacitação da rede de proteção e a naturalização do trabalho precoce pela sociedade. A inspeção também prioriza as piores formas de exploração, como atividades insalubres, tráfico de drogas e exploração sexual, o que reduz o número total de resgates.
Segundo o IBGE, cerca de 560 mil crianças estão nessas piores formas de trabalho infantil, consideradas de risco grave à saúde e à dignidade. Em 2025, o ministério registrou 4.318 afastamentos, sendo 80% nessas situações mais severas. Estados mais populosos, como Minas Gerais e São Paulo, concentram os maiores números de resgates devido à maior estrutura de fiscalização.
Para especialistas, combater o trabalho infantil exige mais do que operações pontuais. É preciso investir em políticas permanentes de renda, educação integral, creches, fortalecimento dos conselhos tutelares e ampliação das equipes de fiscalização. As denúncias podem ser feitas de forma anônima pelo Disque 100, pelo Sistema Ipê Trabalho Infantil ou diretamente ao Ministério Público do Trabalho.
Por Millena Galvão
