Estudo aponta que mercado pode absorver jornada de 40 horas sem impacto relevante nos custos

O mercado de trabalho brasileiro tem capacidade para absorver a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas sem grandes impactos econômicos. É o que aponta um estudo divulgado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, o Ipea. Segundo a análise, o aumento de custos para empresas seria semelhante ao de reajustes históricos do salário mínimo, sem risco significativo para o nível de empregos.
De acordo com os pesquisadores, o custo adicional ficaria abaixo de 1% em grandes setores como comércio e indústria, já que a folha salarial representa uma parcela pequena das despesas operacionais. Em contrapartida, áreas de serviços que dependem de mais mão de obra, como vigilância e limpeza, além de pequenos negócios, podem sentir impacto maior e precisariam de transição gradual e políticas de apoio para adaptação das escalas.
O levantamento também destaca efeitos sociais positivos. Jornadas mais longas concentram trabalhadores de menor renda e escolaridade, e a redução para 40 horas pode diminuir desigualdades, elevando o valor da hora trabalhada. Hoje, cerca de 74% dos mais de 44 milhões de celetistas registrados no país cumprem carga horária de 44 horas semanais, modelo que está no centro do debate político no Congresso.
Por Millena Galvão
