Governo avalia criação de cotas para exportação de carne bovina à China

O governo brasileiro estuda implementar cotas individuais para empresas exportadoras de carne bovina destinadas à China. A proposta, em análise nos ministérios da área econômica e agrícola, tem como objetivo organizar os fluxos de embarque e evitar uma disputa descontrolada entre frigoríficos após a adoção de salvaguardas pelo governo chinês.
A ideia foi apresentada pelo secretário de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), Luís Rua, em ofício encaminhado ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). O tema deve ser discutido no Comitê-Executivo de Gestão da Camex. Segundo Rua, o modelo seguiria lógica semelhante à já aplicada nas exportações de carne de frango para a União Europeia.
Desde 1º de janeiro, a China passou a limitar a entrada de carne bovina com tarifas reduzidas, estabelecendo cotas anuais para todos os países parceiros. O volume destinado ao Brasil é de 1,106 milhão de toneladas — abaixo das 1,6 milhão de toneladas exportadas em 2025, que renderam US$ 8,8 bilhões e representaram mais da metade da receita internacional da pecuária brasileira.
Embora o Brasil tenha recebido a maior fatia das cotas, o governo teme que a ausência de regulação interna provoque pressão sobre preços e impactos negativos para produtores e frigoríficos.
O Mapa avalia, no entanto, que os efeitos podem ser minimizados. A abertura de novos mercados nos últimos três anos, com 20 acordos comerciais firmados, e a possibilidade de negociar cotas não utilizadas por outros países são alternativas que podem reduzir o impacto das restrições chinesas.
