Laudo indica sinais de agressão em policial morta em SP

A perícia realizada após a exumação do corpo da policial militar Gisele Santana, encontrada morta com um tiro na cabeça em seu apartamento no Brás, em São Paulo, revelou lesões no rosto e no pescoço da vítima. O laudo necroscópico indica que os ferimentos foram provocados por pressão manual e marcas compatíveis com unhas, sugerindo que a soldado pode ter perdido a consciência antes de ser baleada. Os peritos também destacaram a ausência de sinais de defesa.
O caso, inicialmente tratado como suicídio, passou a ser investigado como morte suspeita após parentes denunciarem que Gisele vivia um relacionamento abusivo com o marido, o tenente-coronel da PM Geraldo Leite Rosa Neto, com quem estava casada desde 2024. Segundo parentes, o acesso da família à policial foi gradualmente restringido e ela enfrentava controle sobre vestimentas, maquiagem, atividades físicas e convívio social.
A versão apresentada pelo marido sustenta que Gisele teria se matado após uma discussão, enquanto ele estava no banho. Ele afirma ter ouvido o disparo e encontrado a esposa ferida. A policial chegou a ser socorrida, mas não resistiu.
A família contesta essa narrativa e pede que o caso seja apurado como feminicídio. Parentes relatam que Gisele vinha sofrendo pressão psicológica e havia manifestado desejo de se separar. Dias antes da morte, ela teria pedido ajuda ao pai para deixar a residência.
O advogado da família, José Miguel da Silva Júnior, descreveu o relacionamento como marcado por controle excessivo e sentimento de posse. A filha da policial, de 7 anos, teria presenciado discussões frequentes.
A investigação está sob responsabilidade da Polícia Civil de São Paulo, que aguarda novos laudos, incluindo a análise da trajetória do disparo, para esclarecer as circunstâncias da morte. Até o momento, a defesa do tenente-coronel não se pronunciou.
