Pesca com botos vira patrimônio cultural no RS

Uma prática centenária do litoral norte gaúcho acaba de ser reconhecida como patrimônio cultural imaterial pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Trata-se da pesca colaborativa entre pescadores e botos-de-Lahille, espécie em risco de extinção, que há gerações auxilia comunidades locais na captura de peixes.
O ritual, considerado raro no mundo, ocorre principalmente na Barra do Rio Tramandaí, entre as praias de Tramandaí e Imbé, com registros também em Torres. Os animais indicam aos pescadores o momento certo de lançar as redes, em uma interação que se tornou símbolo da relação de confiança entre humanos e fauna marinha.
A pesca colaborativa também contribui para a sobrevivência dos botos-de-Lahille, cuja população mundial é estimada em apenas 330 indivíduos, a maioria concentrada no litoral sul do Brasil. Entre eles está Geraldona, fêmea com mais de 40 anos que se tornou figura conhecida na Barra do Tramandaí.
