Levantamento aponta média de 15 estupros coletivos por dia no Brasil

O caso de estupro coletivo contra uma adolescente de 17 anos, registrado no início de março na Zona Sul do Rio de Janeiro, reacendeu o debate sobre a violência sexual no Brasil. Dados do Ministério da Saúde mostram que, entre 2022 e 2025, foram notificados 22.800 casos desse tipo de crime no país, o que representa uma média de 15 ocorrências por dia.
As informações constam no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan) e consideram apenas situações em que houve atendimento na rede de saúde. Especialistas alertam que o número real tende a ser maior, devido à subnotificação.
Do total de casos registrados no período, cerca de 14,4 mil tiveram como vítimas crianças e adolescentes do sexo feminino, enquanto 8,4 mil envolveram mulheres adultas. Os dados indicam que o grupo mais vulnerável é o de meninas em fase de desenvolvimento.
A série histórica também aponta crescimento nos registros ao longo dos últimos anos. Em 2022, foram contabilizados 4.405 casos. Em 2023, o número subiu para 5.952 e, em 2024, chegou a 6.476 notificações. Em 2025, houve uma leve queda, com 6.063 registros, sem alterar o patamar elevado da violência.
O cenário dialoga com o Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2025, que destaca o estupro como um dos crimes com maior índice de subnotificação no país. Segundo o levantamento, somente em 2024 foram registrados mais de 87 mil casos de violência sexual, somando estupros e estupros de vulnerável. Em grande parte das ocorrências, os autores são pessoas conhecidas ou próximas das vítimas.
A legislação brasileira prevê pena de 6 a 10 anos de prisão para o crime de estupro, podendo chegar a 30 anos em casos com morte. Quando há participação de mais de um agressor, como no estupro coletivo, a punição pode ser aumentada.
Especialistas apontam que os impactos da violência vão além do físico. Entre as consequências mais comuns estão transtornos como estresse pós-traumático, depressão, ansiedade e crises de pânico, além de sentimentos de culpa, vergonha e dificuldades na construção de vínculos.
Segundo profissionais da área de saúde mental, o suporte familiar e o acompanhamento psicológico são fundamentais para a recuperação das vítimas. A rede de apoio, quando acolhedora, contribui para reduzir os danos e possibilitar a reconstrução da sensação de segurança.
Diante dos dados, o debate sobre o enfrentamento à violência sexual no país ganha força. Especialistas destacam a necessidade de ampliar o acesso aos serviços de atendimento, fortalecer políticas públicas de proteção e garantir a responsabilização dos autores, como forma de combater um problema que segue atingindo milhares de vítimas todos os anos.
