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Economia

Super-ricos concentram riqueza oculta maior que a dos mais pobres, aponta Oxfam


  • 3 de abril de 2026 às 19h34min

Relatório indica que fortuna escondida em paraísos fiscais supera bens de 4,1 bilhões de pessoas. (Imagem reprodução)

A quantidade de riqueza não declarada mantida no exterior pelos mais ricos do mundo ultrapassa o total acumulado pela metade mais pobre da população global. A constatação é da Oxfam, em análise divulgada no contexto dos dez anos do escândalo conhecido como Panama Papers.

A investigação original, conduzida pelo Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos, revelou o funcionamento de empresas offshore — estruturas frequentemente utilizadas para ocultar patrimônio e dificultar a identificação de seus verdadeiros proprietários. À época, mais de 370 jornalistas de 76 países analisaram milhões de documentos vazados.

Segundo a Oxfam, cerca de 3,55 trilhões de dólares estavam escondidos em paraísos fiscais e contas não declaradas em 2024. O montante supera o Produto Interno Bruto de países como a França e representa mais que o dobro da soma das economias das 44 nações menos desenvolvidas.

Desse total, aproximadamente 80% pertencem ao grupo mais rico do planeta — o chamado 0,1% — o que equivale a cerca de 2,84 trilhões de dólares. Mesmo após uma década das revelações, o uso de estruturas offshore para ocultação de ativos e evasão fiscal segue sendo uma prática recorrente entre os super-ricos.

Para a organização, o cenário evidencia a necessidade de medidas globais coordenadas para garantir a tributação de grandes fortunas e combater o uso de paraísos fiscais. A entidade alerta que a concentração de riqueza fora do alcance dos sistemas tributários agrava desigualdades e reduz recursos essenciais para serviços públicos.

Apesar de avanços recentes, a riqueza não tributada ainda representa cerca de 3,2% da economia global. A Oxfam também destaca que muitos países do Sul Global permanecem fora de mecanismos internacionais de transparência, como o sistema de troca automática de informações financeiras.

No Brasil, o debate sobre justiça fiscal segue em pauta. Para a diretora da Oxfam Brasil, Viviana Santiago, os dados reforçam a existência de um sistema que favorece grandes fortunas, enquanto a maioria da população arca proporcionalmente com uma carga tributária maior.