Afastamentos por saúde mental disparam no Brasil

O número de afastamentos do trabalho por problemas de saúde mental cresceu de forma expressiva no Brasil. Dados da plataforma Gupy apontam que 540 mil benefícios foram concedidos pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) em 2023 por transtornos mentais e comportamentais, mais que o dobro dos 200 mil registrados em 2020.
O levantamento indica que o risco de adoecimento psicológico já atinge entre 50% e 60% dos trabalhadores, mesmo sem diagnóstico formal. Ansiedade, estresse e burnout estão entre os principais problemas identificados.
Entre os setores com maior índice de exaustão estão o varejo e atacado, educação, marketing e comunicação, além de hotelaria e restaurantes.
Outro ponto de preocupação é o aumento de casos de assédio no ambiente de trabalho. Cerca de 35% das mulheres relatam já ter sofrido assédio sexual, mas apenas 10% formalizam denúncia. O medo de retaliação e a descrença em mudanças são os principais motivos apontados.
Diante desse cenário, uma nova exigência entra em vigor a partir de 26 de maio. Com a atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), as empresas passam a ser obrigadas a monitorar e gerenciar riscos psicossociais no ambiente de trabalho.
Na prática, fatores como estresse, sobrecarga, assédio moral e conflitos organizacionais passam a integrar o Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR), devendo ser identificados, avaliados e controlados pelas empresas.
Especialistas apontam que a mudança representa um avanço importante na prevenção de doenças relacionadas ao trabalho e deve impactar diretamente a redução de afastamentos e ações trabalhistas.
A nova regra também aumenta a responsabilidade das empresas, que precisarão comprovar não apenas a existência de políticas internas, mas a efetividade das medidas adotadas para garantir um ambiente de trabalho mais saudável.
Por: Mirelly Rodrigues
