Governo recua sobre uso do FGTS para dívidas e prepara nova fase do Desenrola

O governo federal decidiu abandonar a proposta que permitiria aos trabalhadores utilizarem recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para quitar ou reduzir dívidas. A mudança de rumo ocorre após dificuldades jurídicas identificadas pela equipe econômica e abre espaço para uma nova fase do programa Desenrola, voltado à renegociação de débitos de pessoas físicas.
A decisão ainda está em fase final de alinhamento e deve ser consolidada na próxima segunda-feira (27), durante reunião entre o ministro da Fazenda e representantes de instituições financeiras, em São Paulo. A expectativa é que o encontro defina os próximos passos da política de crédito e renegociação no país.
A ideia inicial de liberar o FGTS para abatimento de dívidas enfrentou obstáculos legais, principalmente por conta da natureza do fundo, que possui regras específicas de uso e proteção ao trabalhador. Diante disso, o governo optou por reforçar uma alternativa já conhecida: ampliar o alcance do Desenrola, programa lançado para facilitar acordos entre consumidores e credores.
Criado como uma das principais promessas de campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o Desenrola ganhou protagonismo no início do atual governo ao permitir que milhões de brasileiros renegociassem dívidas com descontos e condições facilitadas. Agora, a nova etapa deve focar especialmente em famílias mais pressionadas pelos juros altos e pelo acúmulo de débitos.
A medida também tem impacto direto no cenário econômico. Com grande parte da renda comprometida com dívidas, muitas famílias enfrentam dificuldade para manter o consumo e equilibrar o orçamento. Ao estimular a renegociação, o governo tenta reduzir a inadimplência e reaquecer a economia.
Além do aspecto econômico, a iniciativa carrega um peso político. Em um momento de oscilação na aprovação do governo, a equipe do presidente busca medidas que reduzam a insatisfação popular, especialmente relacionada ao custo de vida. O objetivo é evitar que a combinação de inflação e endividamento continue pressionando o bolso dos brasileiros e influencie negativamente o ambiente eleitoral.
