Envelhecimento da população deve pressionar Previdência e saúde no Brasil

O envelhecimento da população brasileira deve gerar impactos significativos nas contas públicas nas próximas décadas, com pressão crescente sobre a Previdência Social e o sistema de saúde. Por outro lado, a tendência é de redução nos gastos com educação, diante da diminuição do número de jovens no país.
De acordo com projeções do governo, o déficit do Instituto Nacional do Seguro Social pode quadruplicar até o ano de 2100. A estimativa é de que o rombo, que deve atingir 2,49% do PIB em 2026 (cerca de R$ 338 bilhões), chegue a 10,41% do PIB até o fim do século.
O principal fator é a mudança na estrutura etária da população. Com menos pessoas em idade ativa e mais idosos, o modelo atual — baseado na contribuição de trabalhadores para o pagamento de aposentados — tende a ficar cada vez mais pressionado.
Na área da saúde, o impacto também deve ser expressivo. A previsão é de necessidade de mais R$ 121 bilhões até 2036 para atender à demanda crescente, já que pessoas mais idosas utilizam proporcionalmente mais serviços médicos. O Sistema Único de Saúde, que já enfrenta desafios de financiamento e acesso, deve sentir ainda mais os efeitos dessa transição demográfica.
Por outro lado, o governo estima uma redução de R$ 30,2 bilhões nos gastos com educação, reflexo da queda no número de jovens. A diminuição da população em idade escolar ocorre tanto em termos relativos quanto absolutos.
Atualmente, os investimentos mínimos em saúde e educação estão vinculados à arrecadação da União, com percentuais fixados em 15% e 18%, respectivamente, além de pisos obrigatórios para estados e municípios.
Diante desse cenário, especialistas e integrantes do governo avaliam que novas mudanças no sistema previdenciário poderão ser necessárias no futuro. Entre as discussões estão possíveis ajustes na idade mínima para aposentadoria, revisão de regras específicas e mecanismos automáticos de adaptação conforme o aumento da expectativa de vida.
A última grande reforma da Previdência foi realizada em 2019, durante o governo de Jair Bolsonaro, quando foram estabelecidas idades mínimas de aposentadoria e novas regras de transição. Ainda assim, projeções indicam que o tema deverá voltar ao centro do debate nos próximos anos.
Por Viliane Gomes
