Governo lança Desenrola 2.0 com uso do FGTS e bloqueio de apostas online

O governo federal lança nesta segunda‑feira (04), no Palácio do Planalto, a nova versão do programa de renegociação de dívidas, o Desenrola Brasil 2.0. A iniciativa retoma e amplia o modelo criado em 2023, permitindo que consumidores renegociem débitos de cartão de crédito, cheque especial, crédito pessoal e do Fies, com juros limitados a 1,99% e descontos que podem chegar a 90%.
Entre as mudanças anunciadas pelo presidente Lula na última quinta‑feira (30), está a determinação de que quem aderir ao programa ficará impedido de acessar plataformas de apostas online por um ano. A medida, segundo o governo, busca evitar que beneficiários voltem ao endividamento por meio de gastos com bets.
Outro ponto central do Desenrola 2.0 é a possibilidade de usar até 20% do saldo do FGTS para quitar dívidas. A transferência será feita diretamente entre instituições financeiras, garantindo que o recurso seja aplicado exclusivamente no pagamento dos débitos. O Ministério do Trabalho estima impacto de R$ 4,5 bilhões no fundo, dentro de um limite de R$ 8 bilhões previsto para o programa.
A proposta, no entanto, tem gerado críticas de especialistas e do setor produtivo, que alertam para possíveis efeitos sobre o financiamento habitacional e sobre a função original do FGTS como reserva para o trabalhador. A Abrainc, entidade que representa incorporadoras imobiliárias, manifestou preocupação com o uso do fundo para esse fim. O ministro Luiz Marinho, porém, afirma que o volume previsto representa menos de 1% do total do FGTS e não compromete programas como o Minha Casa, Minha Vida.
O governo defende que o Desenrola 2.0 é uma medida necessária para aliviar o endividamento das famílias e reorganizar o orçamento de milhões de brasileiros. Como sempre, vale confirmar as informações em fontes oficiais.
