OMS investiga possível transmissão entre pessoas em surto de hantavírus em cruzeiro

A Organização Mundial da Saúde investiga um surto de hantavírus registrado a bordo de um cruzeiro internacional, com suspeita de transmissão entre pessoas, algo considerado raro para esse tipo de vírus. A doença é geralmente transmitida por roedores, por meio da inalação de partículas contaminadas com urina, fezes ou saliva, podendo causar quadros graves, principalmente respiratórios.
O hantavírus pode provocar desde sintomas semelhantes aos da gripe, como febre, dor muscular e fadiga, até complicações severas, como insuficiência respiratória. Em alguns casos, a taxa de mortalidade pode chegar a 40%. A transmissão entre humanos é extremamente incomum, mas já foi registrada em situações específicas, como com a variante Andes, presente na América do Sul.
No caso do cruzeiro, a OMS informou que, até o momento, foram identificados sete casos, sendo dois confirmados e cinco suspeitos, incluindo três mortes, um paciente em estado crítico e outros com sintomas leves. A embarcação registrou os primeiros sintomas entre passageiros ainda durante a viagem.
Segundo a organização, a hipótese inicial é de que os passageiros tenham sido infectados antes de embarcar, considerando o período de incubação do vírus, que pode variar de uma a seis semanas. No entanto, autoridades de saúde avaliam a possibilidade de transmissão interpessoal entre pessoas que tiveram contato próximo dentro do navio.
O cruzeiro deve ser encaminhado para as Ilhas Canárias, na Espanha, onde será realizada uma investigação epidemiológica completa, além de medidas de desinfecção e avaliação de risco. A OMS também trabalha na identificação de pessoas que tiveram contato com casos confirmados, incluindo passageiros de voos relacionados, para conter possíveis novos registros da doença.
Por Millena Galvão
