Lideranças do Polo Têxtil criticam fim da “taxa das blusinhas”

A decisão do Governo Federal de zerar o imposto de importação para compras internacionais de até US$ 50 gerou reação de lideranças políticas e representantes do Polo de Confecções do Agreste pernambucano. Autoridades de cidades como Santa Cruz do Capibaribe, Toritama e Caruaru afirmam que a medida pode aumentar a concorrência com produtos estrangeiros e prejudicar a indústria local.
A governadora Raquel Lyra afirmou que o estado está preocupado com a manutenção dos empregos e da renda gerados pelo Polo de Confecções, considerado um dos principais motores econômicos de Pernambuco. Segundo ela, o Governo do Estado pretende discutir os impactos da medida com o setor produtivo e levar as preocupações ao Governo Federal.
O deputado estadual Edson Vieira criticou a retirada da taxação sem diálogo com o setor e disse que a medida amplia a concorrência desleal com produtos importados. Já o prefeito de Toritama, Sérgio Colin, classificou a decisão como um retrocesso e alertou para possíveis prejuízos à produção local e aos trabalhadores do setor têxtil.
Representantes das secretarias de Desenvolvimento Econômico de Santa Cruz do Capibaribe, Toritama e Caruaru também defenderam maior equilíbrio tributário entre os produtos nacionais e importados. Segundo eles, o Polo do Agreste reúne mais de 60 municípios e tem papel fundamental na geração de empregos e renda em Pernambuco.
Entidades ligadas ao comércio e à indústria têxtil afirmaram ainda que a flexibilização da tributação pode favorecer empresas estrangeiras em meio aos altos custos enfrentados pelos fabricantes brasileiros, como carga tributária elevada, logística e dificuldade de acesso a crédito.
Por Millena Galvão
