Estudo aponta risco oculto no sangue que eleva chances de AVC mesmo com colesterol controlado

Uma condição hereditária pouco conhecida pode representar um risco significativo para a saúde do coração, mesmo em pessoas com níveis de colesterol considerados adequados em exames tradicionais. É o caso da lipoproteína(a), ou Lp(a), apontada como um fator importante para eventos cardiovasculares graves.
A descoberta foi reforçada por uma análise com mais de 20 mil participantes, conduzida a partir de dados de estudos dos National Institutes of Health. Os resultados foram apresentados em encontros científicos internacionais voltados à cardiologia intervencionista.
A Lp(a) é semelhante ao LDL, conhecido como “colesterol ruim”, mas possui uma estrutura adicional que a torna mais agressiva ao sistema cardiovascular. Altos níveis dessa partícula são, em geral, herdados geneticamente e não costumam apresentar sintomas, o que dificulta o diagnóstico.
Segundo especialistas, cerca de 20% da população pode ter níveis elevados de Lp(a) sem saber. O estudo analisou pacientes com 40 anos ou mais e acompanhou a ocorrência de eventos como infarto, AVC e morte cardiovascular ao longo de quase quatro anos.
Os dados mostram que indivíduos com níveis mais altos da substância tiveram aumento expressivo no risco de complicações. Entre aqueles com Lp(a) elevada, houve crescimento de 31% nos eventos cardiovasculares graves, 49% no risco de morte por causas cardíacas e 64% no risco de AVC.
A recomendação é que pacientes com níveis elevados da substância adotem acompanhamento médico rigoroso, com foco na redução do colesterol LDL e no controle de outros fatores de risco.
Os pesquisadores destacam ainda que novas terapias direcionadas à Lp(a) estão em desenvolvimento, o que pode ampliar as opções de tratamento nos próximos anos.
Por Viliane Gomes
