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Pernambuco

Piloto é condenado a mais de 52 anos de prisão por feminicídio de comissária de voo em Pernambuco


  • 23 de maio de 2026 às 10h34min

Justiça considerou que crime foi planejado após vítima se recusar a interromper gravidez. (Foto: Reprodução)

A Justiça de Pernambuco condenou o piloto de avião Mayky Fernandes dos Santos a 52 anos, 4 meses e 24 dias de prisão pelos crimes de tentativa de feminicídio e feminicídio consumado contra a comissária de voo Dinorah Cristina Barbosa da Silva. O julgamento ocorreu nessa quinta-feira (21), na 1ª Vara Criminal de Paulista, na Região Metropolitana do Recife, e durou cerca de 14 horas.

Segundo o Ministério Público de Pernambuco, Mayky foi apontado como mandante dos crimes cometidos contra Dinorah em julho e outubro de 2019. A acusação incluiu a qualificadora de feminicídio e a agravante de o réu ter planejado a execução da vítima.

Dinorah foi assassinada dentro da própria residência, em Paulista, enquanto amamentava a filha recém-nascida. Homens armados invadiram o imóvel e efetuaram disparos diante da mãe da vítima. A bebê não foi atingida.

Na sentença, o juiz classificou o crime como uma “execução sumária” e afirmou que os ataques foram “manifestamente planejados” desde fevereiro de 2019. O magistrado também destacou como agravantes o fato de o assassinato ter ocorrido durante a noite e dentro da casa da vítima, ambiente que deveria representar proteção e segurança.

Pela tentativa de feminicídio registrada em 4 de julho de 2019, o piloto recebeu pena de 17 anos, 5 meses e 18 dias de prisão. Já pelo feminicídio consumado, ocorrido em 24 de outubro do mesmo ano, a condenação foi fixada em 34 anos, 11 meses e 6 dias de reclusão.

A Justiça ainda reconheceu aumento de pena porque os crimes aconteceram na presença da filha da vítima. A mãe de Dinorah também ficou ferida na mão ao tentar proteger a neta durante os disparos.

Preso no sistema penitenciário de São Paulo, Mayky participou do julgamento por videoconferência. O juiz manteve a prisão preventiva e negou ao réu o direito de recorrer em liberdade.

Gravidez motivou o crime

Dinorah e Mayky se conheceram em 2018, quando trabalhavam juntos na aviação. Segundo as investigações, o relacionamento ocorreu enquanto o piloto ainda mantinha outro namoro.

Meses depois, Dinorah descobriu a gravidez. De acordo com a Polícia Civil e o Ministério Público, Mayky pressionou a vítima para interromper a gestação e chegou a levá-la a uma clínica em Campinas, no interior de São Paulo, para realizar um aborto. A comissária, porém, desistiu do procedimento.

A recusa em abortar teria sido a principal motivação do feminicídio.

As investigações apontaram que os criminosos monitoraram a rotina da vítima antes da execução. Dias antes do assassinato, Dinorah já havia sofrido uma tentativa de homicídio semelhante dentro da residência.

Segundo a polícia, tanto a tentativa quanto o feminicídio teriam sido articulados por Mayky e pela mãe dele, Maria Aparecida Brandão Batista.

Outros condenados

Além de Mayky Fernandes, outras cinco pessoas já foram condenadas pelo Tribunal do Júri de Paulista pela participação nos crimes.

Maria Aparecida Brandão Batista, mãe do piloto, foi condenada a 49 anos e 6 meses de prisão por atuar como articuladora e financiadora do feminicídio.

Douglas Dias Pereira recebeu pena de 29 anos e 3 meses de prisão por intermediar o contato entre os mandantes e os executores.

Denis Pereira da Silva e Victor Hugo Lima da Silva, apontados como autores dos disparos, foram condenados a 33 anos e 28 anos, 1 mês e 15 dias de prisão, respectivamente.

Rosane Barbosa de Andrade, acusada de indicar os executores do crime, foi sentenciada a 25 anos e 8 meses de reclusão.

Por Mirelly Rodrigues