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Brasil

Brasil anuncia ajuda humanitária à Bolívia em meio a protestos e crise de desabastecimento


  • 26 de maio de 2026 às 08h32min

País enfrenta quase um mês de bloqueios e manifestações que provocaram falta de alimentos, combustíveis e medicamentos em várias regiões. (Foto: Reprodução)

O governo brasileiro anunciou, nessa segunda-feira (25), o envio de ajuda humanitária à Bolívia, que enfrenta uma onda de protestos e bloqueios de estradas há quase um mês. O anúncio foi feito após uma conversa por telefone entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente boliviano Rodrigo Paz.

Segundo a Presidência da República, Lula manifestou solidariedade ao governo e ao povo boliviano e destacou a importância do respeito às instituições democráticas e ao Estado de Direito.

O pedido de ajuda humanitária foi feito pelo próprio governo da Bolívia, diante do cenário de desabastecimento que já afeta alimentos, combustíveis e medicamentos em diversas regiões do país.

Em nota, Lula também defendeu que o governo boliviano e os movimentos sociais evitem confrontos e priorizem o diálogo para superar as divergências e preservar a paz social.

Os protestos são liderados por setores ligados à Central Operária Boliviana (COB), organizações camponesas e grupos próximos ao ex-presidente Evo Morales. Parte dos manifestantes critica medidas econômicas adotadas pelo governo de Rodrigo Paz e, em alguns casos, pede a renúncia do presidente.

Entre os principais motivos da crise estão uma proposta de reforma agrária anunciada pelo governo, reivindicações salariais de professores, críticas ao aumento e à qualidade dos combustíveis e discussões sobre uma possível reforma constitucional.

A reforma agrária previa mudanças em propriedades rurais e foi interpretada por movimentos camponeses como uma ameaça à agricultura familiar. Após a repercussão negativa, o governo decidiu revogar a medida.

Além disso, sindicatos e movimentos sociais também protestam contra a inflação elevada, o aumento do custo de vida e a retirada de subsídios dos combustíveis. A situação se agravou com denúncias sobre a qualidade da gasolina distribuída no país e com a escassez provocada pelos bloqueios de estradas.

Os Estados Unidos e a Argentina também ofereceram apoio à Bolívia. O governo argentino informou que enviou uma aeronave militar para auxiliar no transporte de alimentos, enquanto autoridades norte-americanas classificaram o cenário como uma “crise humanitária”.

Já o presidente da Colômbia, Gustavo Petro, definiu os protestos como um “levante popular”.

A crise ocorre apenas seis meses após Rodrigo Paz assumir a presidência boliviana e tem provocado impactos no cotidiano da população, além de dificuldades para turistas e estrangeiros que estão no país.

Por Mirelly Rodrigues